Políticas públicas de sucesso: iodação do sal e fluoretação da água, de Daniele da Silva Dilly

19/11/2021
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Atualmente vivemos em uma sociedade na qual a medicina exerce principalmente a função de para tratar doenças. Especialmente no mundo ocidental, há a percepção de que ela serve para consertar aquilo que não está funcionando adequadamente, e não como ferramenta de promoção da saúde. É a visão de saúde como sendo a ausência de doenças. Porém, sabemos que a saúde vai muito além disso e que ser saudável é muito mais do que não ter doenças. Nesse sentido, é importante que o poder público desenvolva políticas que tenham um alcance maior do que simplesmente tratar aquilo que chega nos hospitais. Para além das campanhas de conscientização, que colaboram para um maior conhecimento da população sobre diversos aspectos de saúde pública, existem também políticas que inserem no cotidiano dos cidadãos medidas de prevenção à algumas doenças. Dois casos em específico são bastante marcantes e estão disseminados nas políticas públicas de saúde mundialmente: a fluoretação da água e a iodação do sal.

A fluoretação da água foi uma proposta surgida nos EUA no ano de 1945 e se espalhou por todo o mundo. Depois de conhecida a capacidade do flúor de fortalecer a esmaltação dos dentes e assim evitar o aparecimento de cáries na população, começou a ser discutida a possibilidade de se introduzir a substância no cotidiano popular, através da sua adição na água para o abastecimento. Diversas questões foram levantadas, como por exemplo as consequências que o consumo regular de flúor na água poderia trazer para o corpo humano. Quando consumido em altas quantidades, ele pode causar efeitos neurotóxicos, problemas na tireoide e nos ossos, entre outros. Porém, nos níveis adicionados na água, é impossível que cause qualquer um desses efeitos. Feita a análise de prós e contras, constatou-se que a fluoretação da água seria muito benéfica para a saúde pública. O sucesso dessa medida está refletido nos números, os casos de cáries caíram drasticamente em todas as regiões em que a política foi aplicada. O Brasil é um dos países em que a população mais tem acesso à água fluoretada, cerca de 60% dos municípios adotam essa política.

Uma outra política de sucesso é a iodação do sal. A deficiência de iodo no corpo pode gerar problemas muito severos para a saúde humana, como o bócio, cretinismo e anomalias congênitas. Suprir a necessidade de iodo na dieta humana não é uma tarefa simples apenas com uma dieta comum, por isso a adição de iodo no sal surgiu como uma solução para evitar o aparecimento dessas doenças severas na população. O Brasil adota essa medida desde os anos 1950 e conseguiu, com sucesso, controlar o bócio endêmico que assolava o país na época. Estudos mais recentes demonstram que o consumo excessivo de sal da população tem provocado distúrbios relacionados ao iodo, trazendo a discussão de que uma revisão das quantidades atualmente adicionadas deveriam ser revisadas. 

Tanto a iodação do sal quanto a fluoretação da água são políticas públicas de saúde que alcançaram uma abrangência mundial e ajudaram diversos governos a controlar problemas endêmicos de saúde. É claro que estudos sobre a ingestão artificial do flúor e do iodo devem ser constantemente refeitos, principalmente quando o consumo é feito diariamente no longo prazo. Porém, não podemos deixar de reconhecer a efetividade dessas políticas, principalmente em dois aspectos: o fornecimento de substâncias que evitam o aparecimento de doenças, e não apenas tratam doenças já estabelecidas, é essencial para o desafogamento dos sistemas de saúde, além disso, o fato dessas políticas serem globalmente reconhecidas e aplicadas demonstra que é possível propagar conhecimento científico na área da saúde com sucesso, portanto essas políticas são exemplos a ser seguidos.

Bibliografia

“Fluoretação da água de abastecimento público: abordagem bioética, legal e política” Cléa Adas Saliba Garbin, Luis Felipe Pupim dos Santos, Artênio José Isper Garbin, Suzely Adas Saliba Moimaz, Orlando Saliba. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bioet/a/nqNrz68pwnYfdp73yyZvHMz/?format=pdf&lang=pt#:~:text=Em%201974%2C%20a%20Lei%206.050,esta%C3%A7%C3%B5es%20de%20tra%2D%20tamento%2026.&text=Segundo%20a%20Portaria%2C%20o%20teor,(mgF%2FL)%2027.

“Iodação do sal no Brasil, um assunto controverso” Salt iodation in Brazil, a controversial subject Alana Abrantes Nogueira de Pontes, Aline da Mota Rocha, Débora Farias Batista Leite, Andréa da Fonseca Lessa, Luís Fernando Fernandes Adan. Disponível em:https://www.scielo.br/j/abem/a/xJNd3jvxSPGZHY8zJhTPGdc/?lang=pt&format=pdf

ANDRADE, Simone Caixeta de. “70 anos de fluoretação da água de abastecimento público requer debate”. Cienc. Cult, São Paulo ,  v. 67, n. 2, p. 08-09,  June  2015 . Disponível em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252015000200004&lng=en&nrm=iso

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