“Vacinação, varíola e uma cultura da imunização no Brasil”, artigo de Gilberto Hochman na revista Ciência & Saúde Coletiva

17/11/2021
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Neste artigo, o professor de História das Ciências e da Saúde da FIOCRUZ Gilberto Hochman discute o estabelecimento de uma “cultura de imunização” no Brasil a partir de uma análise da campanha de erradicação da varíola. O autor mostra que, embora a vacinação contra varíola estivesse ocorrendo desde o final do século XIX, a conjunção de uma série de fatores históricos resultou na implementação da Campanha de Erradicação da Varíola (CEV), que ocorreu entre 1966 e 1973, ano em que o Brasil recebeu o certificado internacional de erradicação da doença, após ter imunizado 84% da sua população. Dentre os fatores históricos mencionados, destacam-se a influência da agenda global de saúde e a necessidade de o regime militar obter mais legitimidade internacional, frente ao aumento da repressão política no interior do país.

O artigo descreve as estratégias adotadas pelo governo da época para que a campanha fosse bem-sucedida. Além de ter trabalhado de forma integrada e articulada com os estados, municípios e outras lideranças locais, a campanha mobilizou a população de forma pública e ampla. A vacinação era realizada em massa em locais como festas populares, encontros religiosos e escolas, com convocação divulgada pela imprensa, cartazes e filmes, além da vacinação em público de autoridades e celebridades. Como resultado, argumenta o autor, a população brasileira fortaleceu a conexão com os serviços de saúde e o entendimento das vacinas como bem público. Além disso, essa campanha foi um embrião para a consolidação do Programa Nacional de Imunizações e do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica.

O texto é uma interessante inspiração para o momento atual, pois vivenciamos uma campanha nacional de imunização importantíssima, em que fica evidente que o papel dessa “cultura brasileira de imunização” é indispensável até hoje. Além disso, o artigo é relevante, pois mostra um exemplo histórico prático da interação entre a agenda de Saúde Global e as políticas nacionais de saúde. Como o autor descreve, a implementação da CEV foi possível graças ao auxílio – técnico, financeiro, político – de atores importantes da arena global, como a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Cabe ressaltar que a CEV se insere no contexto histórico dos primeiros anos de atividade da OMS, que atuava principalmente num paradigma da erradicação de doenças via imunização, como foi o caso da varíola, conforme aprovado pela Assembleia Mundial da Saúde em 1959. O texto também ilustra um momento histórico especial da relação entre o Brasil e a OMS, quando esta estava sob direção do médico brasileiro Marcolino Gomes Candau.

Enviado por Luiza Piazza

Link para o artigo: HOCHMAN, Gilberto. Vacinação, varíola e uma cultura da imunização no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 16, n. 2, p. 375-386, fev. 2011. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/csc/a/YWJ7XPqXpmNXNFtBtMbr8Sm/?lang=pt>. Acesso em: 15 nov. 2021. 

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