Saúde Global 2018

BRI0032 – Saúde Global 2018

Disciplina eletiva do Bacharelado em Relações Internacionais da USP

Blog: saudeglobal.org

Twitter: @saudeglobal

 

1° SEMESTRE DE 2018 – Sextas-feiras das 14h às 18h

 

Local: Sala Walter Belda, térreo – Faculdade de Saúde Pública/USP (Av. Dr. Arnaldo esq. Rua Teodoro Sampaio, Metrô Clínicas)

Docente responsável: Deisy Ventura (IRI/USP- FSP/USP)

Carga horária: 60h

Graduandos do IRI e das Faculdades de Medicina e Saúde Pública

 

I – OBJETIVOS

  • Difundir estudos críticos sobre a saúde global;
  • Identificar a repercussão da regulação transnacional, internacional e regional na saúde pública brasileira;
  • Compreender a atuação internacional brasileira relacionada ao campo da saúde pública;
  • Refletir sobre a saúde como dimensão adjetiva do direito à vida;
  • Problematizar temas de saúde global por meio da arte;
  • Avançar na experimentação de meios alternativos de avaliação e de difusão social de saberes acadêmicos por intermédio do blog saudeglobal.org, fortalecendo esse instrumento como recurso pedagógico

 

II – METODOLOGIA

O curso compreende 15 encontros de 4 horas. Os três primeiros encontros fornecerão a base conceitual para o desenvolvimento da disciplina. A partir da quarta aula, as primeiras duas horas serão de aula expositiva. Haverá um texto de leitura obrigatória para cada aula, selecionada no livro básico da disciplina (Birn et al., Textbook of Global Health, Oxford, 2017) ou outro texto.

As duas últimas horas de aula serão dedicadas a seminários (11 no total). O último encontro do semestre será dedicado à avaliação institucional discente, à análise dos resultados da participação no blog e à entrega das notas finais.

 

III – AVALIAÇÃO 

1) Apresentação de Seminário (4 pontos)

Critérios de avaliação:

  • a preparação prévia das apresentações, em reuniões e emails com a docente responsável;
  • a capacidade de relacionar o tema ao programa da disciplina;
  • o senso crítico, a clareza e a objetividade;
  • a metodologia da exposição (problema e plano);
  • a completude e o rigor da pesquisa realizada;
  • a compreensão tanto do objeto e das fontes, como das perguntas formuladas durante a apresentação.

 

2) Participação no blog da disciplina (4 pontos)

Ler guia de participação no blog. Deverão ser elaborados 2 posts inéditos relacionados à temática do curso (um deles relacionado ao seminário apresentado).

A contribuição deverá ser remetida ao email saudeglobal2018@gmail.com

Critérios de avaliação dos posts:

  • a capacidade de relacionar o tema abordado à atualidade e ao programa da disciplina, e de mobilizar conteúdos trabalhados em aula;
  • o senso crítico, a clareza e a objetividade;
  • a estrutura do texto (problema e plano);
  • a completude e o rigor da pesquisa realizada ou da opinião emitida.

 

3) Participação em aula (2 pontos) com as seguintes condições:

  • baseada no livro básico e nos textos recomendados;
  • que mobilize conteúdos das aulas anteriores;
  • que relacione o curso a outras disciplinas.

 

IV – PROGRAMA TENTATIVO*

*O programa pode ser alterado a qualquer momento. As informações sobre as alterações serão veiculadas por meio da página da disciplina no blog saudeglobal.org

 

Aula 1 – 9 de março

Apresentação da disciplina (programa, calendário, metodologia e avaliação)

O campo da Saúde Global I: principais conceitos

Leitura recomendada:

  • Birn et al. (2017). Why Global Health? [Introduction] Textbook of Global Health, Oxford.

 

Aula 2 – 16 de março

Exercício: – Luz [d’après l’oeuvre d’Albert Cohen]. (2016) Ô vous frères humains. Paris: Futurópolis.

O campo da Saúde Global II: principais atores. Filantrocapitalismo.

Leitura obrigatória:

  • Birn et al. (2017). Global Health Actors and Activities. [Capítulo 4] Textbook of Global Health, Oxford.

 

Aula 3 – 23 de março

Segurança, biopolítica e securitização.

Exercício: – Machado de Assis (1881). O Alienista. Domínio Público.

Leitura obrigatória:

– Gros F (2014). The Fourth Age of Security. In The Government of Life Foucault, Biopolitics, and Neoliberalism, Fordham University Press.

 

Aula 4 – 6 de abril

Securitização da Saúde Global. A crise internacional do Ebola.

Exercício: Jogo dos 7 erros com – Gates, B. (2015) The next outbreak? We’re not ready. TED. 08:33 minutos 

Leitura obrigatória:

– Ventura D. (2016). Do Ebola ao Zika: as emergências internacionais e a securitização da saúde global.Cadernos de Saúde Pública, 32(4), e00033316. Epub April 19, 2016.

– Biehl, J. (2016) Theorizing global health. Medicine Anthropology Theory, v. 3, n. 2: 127–142. 

 

Seminário 1 – Terror e contágio (filmografia de terror)

Luiza Pires Aranha

 

Aula 5 – 13 de abril

Zika e os limites da saúde global.

Leitura recomendada:

Nunes, João, & Pimenta, Denise Nacif. (2016). A EPIDEMIA DE ZIKA E OS LIMITES DA SAÚDE GLOBAL. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, (98), 21-46. 

 

Seminário 2 – Zika

Camila Pereira Soares

– Diniz, D. Zika. Documentário. 29 minutos 

– Diniz, D. (2016) Zika: do sertão nordestino à ameaça global.

 

Aula 6 – 20 de abril

O caso do amianto. Convidada: Professora Jânia Maria Lopes Saldanha (UFSM)

Leitura obrigatória:

Martin-Chenut, Kathia, & Saldanha, Jânia. (2016). O CASO DO AMIANTO: OS LIMITES DAS SOLUÇÕES LOCAIS PARA UM PROBLEMA DE SAÚDE GLOBAL. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, (98), 141-170

 

Seminário 3

Sílvio Tendler. O veneno está na mesa 1 e 2.

Maria Laura Barioni de Oliveira

 

Aula 7 – 27 de abril

Austeridade e saúde.

Exercício: Análise de – Géricault. A balsa da Medusa. 1819

Leitura obrigatória:

Labonté R, Stuckler D (2016) The rise of neoliberalism: how bad economics imperils health and what to do about it. J Epidemiol Community Health 2016;70:3 312-318

 

Seminário 4

A “PEC da Morte” no Brasil.

Gabriela Braga Bordon, Lucas Rossi

 

Aula 8 – 4 de maio

Ética, justiça e saúde global.

Leitura obrigatória:

Ottersen et al. (2014) As origens políticas das inequidades em saúde: perspectivas de mudança. The Lancet- Comissão da Universidade de Oslo sobre Governança Global em Saúde. RJ: CRIS/Fiocruz. 

 

Seminário 5

– Camus, A. (1950) A Peste. Tradução de Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: José Olympio.

Daniela Matos, Moises Paiva

 

Aula 9 – 11 de maio

Big pharma. Propriedade intelectual x saúde pública.

Leitura obrigatória:

Gotzsche, P. (2016). Medicamentos mortais e o crime organizado.

 

Seminário 6

Teatro. De Jules Romain, Dr. Knock ou o triunfo da medicina (1923).

Arina Dias, Vinícius Hosni

 

Aula 10 – 18 de maio

Cooperação internacional em saúde.

Leitura obrigatória:

Ventura D. (2013). Saúde pública e política externa brasileira. Sur Revista Internacional de Direitos Humanos.

 

Seminário 7

A Sociedade Moçambicana de Medicamentos.

Gabriela Moribe, Natália Pombal

 

Aula 11 – 25 de maio

Gênero e Saúde Global.

Leitura obrigatória:

– Sophie Harman (2016) Ebola, gender and conspicuously invisible women in global health governance, Third World Quarterly, 37:3, 524-541

Exercício: Denis Villeneuve. Incêndios (Canadá, 2011)

 

 

 

Aulas 12 e 13 – 15 de junho

Mobilidade Humana e Saúde Global.

Leitura obrigatória:

– Ventura, D. Mobilidade Humana e Saúde Global. Revista USP n. 107 Dossiê Saúde Urbana, p.55-64. 

 

Seminário 9   O primeiro caso suspeito de Ebola no Brasil.

Walter Santana Jr.

 

Seminário 10   Programa Mais Médicos.

Isabella Alves Rodrigues

 

Aula 14 – 22 de junho

Saúde e crise humanitária.

Leitura obrigatória:

Crises humanitárias, cooperação e o papel do Brasil (2016). Rio de Janeiro: Médicos Sem Fronteiras.

 

Seminário 11

Saúde nos territórios palestinos ocupados.

Tomas Hackradt

 

Aula 15 – 29 de junho

Avaliação institucional discente, análise dos resultados da participação no blog e entrega das notas finais.

 

 

V – Bibliografia

 

– Cueto, M. (2015) Saúde global: uma breve história. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz.

– Franco-Giraldo A. (2016) Salud global: una vision latinoamericana. Rev Panam Salud Publica. 39(2):128–36

– Ribeiro, Helena (2016). Saúde Global: olhares do presente. Rio de Janeiro: Ed.Fiocruz.

Haring. Portal da The Keith Haring Foundation. Especialmente produção dos anos 1988 e 1989.

Salgado, Sebastião. O fim da pólio. Companhia das Letras: 2003.

Tolstói. A morte de Ivan Ilitch. 2 ed. São Paulo: 34, 2009.

Barrutti, Soledad. Malcomidos – cómo la industria alimentaria argentina nos está matando. 9 ed. Buenos Aires: Planeta, 2016.

Biehl, João; Petryna, Adriana (orgs.). When People Come First. Princeton: Princeton University Press, 2013.

McGoey, Linsey. No Such Thing as a Free Gift: The Gates Foundation and the Price of Philanthropy. Verso Books, 2016.

Barbosa, Ana de Oliveira; Costa, Ediná Alves. “Os sentidos de segurança sanitária no discurso da Agência Nacional de Vigilância Sanitária”, Ciênc. saúde coletiva 2010, vol.15, suppl.3, pp. 3361-3370. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/csc/v15s3/v15s3a11.pdf

Bastos, Francisco. Saúde em questão. São Paulo: Claro Enigma/Rio: Fiocruz, 2011.

Buss, Paulo; Ferreira, José Roberto, “Brasil e saúde global”. In: Milani, Carlos; Pinheiro, Leticia.Política externa brasileira: as práticas da política e a política das práticas. Rio de Janeiro: FGV, 2012.

Buss, P.M.; Ferreira, J.R. Cooperação e integração regional em saúde na América do Sul: a contribuição da Unasul-Saúde. Ciência e Saúde Coletiva, v.16, n.6, 2011, p.2699-2711.

Castro, Edgardo. Vocabulário de Foucault: um percurso pelos seus temas, conceitos e autores. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009

Dallari, Sueli; Nunes Jr., Vidal Serrano. “O direito à saúde na Constituição de 1988”. In: Direito Sanitário. São Paulo: Verbatim, 2010, p. 64-97.

Fidler, David. “The Challenges of Global Health Governance”, Council on Foreign Relations Working Paper, May 2010. Disponível em http://www.cfr.org/global-governance/challenges-global-health-governance/p22202

Foucault. Naissance de la clinique. Une archéologie du regard médical. Paris: PUF, 1963.

Gadamer, Hans-Georg. “Apologia da arte de curar”. In: O Mistério da Saúde. Lisboa: Edições 70, 2009, p. 45-58.

Gostin, Lawrence. Global Health Law. Harvard University Press, 2014.

ISAGS-UNASUL. Vigilancia en Salud en Suramerica. Rio de Janeiro: ISAGS, 2013.

Kerouedan, Dominique. Géopolitique de la santé mondiale. Cours au Collège de France. Aula 1. Disponível em http://www.college-de-france.fr/site/dominique-kerouedan/

Koplan et al. “Towards a common definition of global health”, Lancet 2009. Disponível em http://www.college-de-france.fr/media/dominique-kerouedan/UPL4514789988916504978_D__finition_de_Global_health.pdf

Mello e Souza, André de. “Saúde pública, patentes e atores não estatais: a política externa do Brasil ante a epidemia de aids”. In: Milani, Carlos; Pinheiro, Leticia. Política externa brasileira: as práticas da política e a política das práticas. Rio de Janeiro: FGV, 2012.

Ocké-Reis, Carlos. SUS – o desafio de ser único. Rio: Fiocruz, 2012.

Paim, Jairnilson. Reforma sanitária brasileira – contribuição para a compreensão e crítica. São Paulo: Hucitec, 2008.

Revel, Judith. Foucault, une pensée du discontinu. Paris: Mille et une nuits/Fayard, 2010.

Schefer, Mario. Coquetel – a incrível história dos antirretrovirais e do tratamento da Aids no Brasil. São Paulo: Hucitec/Sobravime, 2012.

Ventura, Deisy. Direito e saúde global – o caso da pandemia de gripe A(H1N1). São Paulo: Expressão Popular/Dobra Editorial, 2013.

Tabuteau, Didier; Morelle, Aquilino, La santé publique, Paris: PUF, 2010.

– Birn E. (2014) Philanthrocapitalism, past and present: The Rockefeller Foundation, the Gates Foundation, and the setting(s) of the international/ global health agenda. Hypothesis 12(1): e8

– Clark J. McGoey L. (2016) The black box warning on philanthrocapitalism. The Lancet, v.388, Issue 10059, 2457-2459.

– Ventura D., Rached D. (2016) WHO and the search for accountability: a critical analysis of the new FENSA.

– Kamradt-Scott, A. (2015). WHO’s to blame? The World Health Organization and the 2014 Ebola outbreak in West Africa. Third World Quarterly, v. 37(3)

– Brooker C. (2016). Men Against Fire. Black Mirror. Season 3, Ep. 5.

– Gros, F. (2014) The Fourth Age of Security. In Vanessa Lemm and Miguel Vatter The Government of Life: Foucault, Biopolitics, and Neoliberalism

Nunes, J (2016), ‘Security, emancipation and the ethics of vulnerability’. in J Nyman & A Burke (eds), Ethical Security Studies: A New Research Agenda.

– Mackey T. (2016) The Ebola Outbreak: Catalyzing a “Shift” in Global Health Governance? BMC Infectious 16:699

Gozzer E. et al (2016). Contribución del Perú en las iniciativas para promover la seguridad sanitaria mundial. Revista Peruana de Medicina Experimental y Salud Pública, 33(3), 574-579. 

– Legido-Quigley, H et al. (2016). Effects of the financial crisis and Troika austerity measures on health and health care access in Portugal Health Policy, Volume 120, Issue 7, 833–839.

– Karanikolos M et al. (2016). Effects of the Global Financial Crisis on Health in High-Income Oecd Countries: A Narrative Review. Int J Health Serv. 46(2):208-40.

– Stuckler, D; Basu, S. (2014). A economia desumana: porque mata a austeridade. Lisboa: Editorial Bizâncio.

– Venkatapuram, S. (2016) On Health Justice. Some Thoughts and Responses to Critics. Bioethics, 30: 49–55. 

– McNeill, Desmond et al. (2016) Political origins of health inequities: trade and investment agreements. The Lancet, november. 

– Noronha, JC. (2013). Cobertura universal de saúde: como misturar conceitos, confundir objetivos, abandonar princípios. Cadernos de Saúde Pública, 29(5), 847-849. 

– Buss PM et al. (2016). Desenvolvimento, saúde e política internacional: a dimensão da pesquisa & inovação. Cadernos de Saúde Pública, 32(Supl. 2), e00046815. 

– The Lancet/OPS. Cobertura universal de salud en Latinoamérica. MEDICC Review Suplemento 2015, Vol 17, No 1 

Riedel E. (2009) The Human Right to Health: Conceptual Foundations. In: Clapham, Andrew; Robinson, Mary. Realizing the right to health. Zurich: Swiss Human Rights Books, 2009, p. 21-39.

Stigger et al. O útero do mundo. São Paulo: Museu de Arte Moderna de São Paulo, 2016.

Ebola gender and conspicuously invisible women in global health governance

– Harman S (2011). The Dual Feminisation of HIV/AIDS. Globalizations Vol. 8 (2) 

Diniz, Debora. (2016). Vírus Zika e mulheres. Cadernos de Saúde Pública, 32(5), e00046316.

– Campos G. & Pereira Júnior N. (2016). A Atenção Primária e o Programa Mais Médicos do Sistema Único de Saúde: conquistas e limites. Ciência & Saúde Coletiva21(9), 2655-2663.

– Scheffer M. (2016). Para muito além do Programa Mais Médicos. Ciência & Saúde Coletiva21(9), 2664-2666.

– Marimón N & Martínez Cruz E. (2010). Evolución de la colaboración médica cubana en 100 años del Ministerio de Salud Pública. Revista Cubana de Salud Pública36(3), 254-262.

– Caballero González JE et al.(2015). Proyecto “Mais Médicos para Brasil”: nueva modalidad de colaboración cubana en el exterior. EDUMECENTRO7(1), 171-177. 

– Steffens I, Martins J. (2016). “FALTA UM JORGE”: A SAÚDE NA POLÍTICA MUNICIPAL PARA MIGRANTES DE SÃO PAULO (SP). Lua Nova: Revista de Cultura e Política, (98), 275-299. 

 

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