“Quando falamos de uma próxima pandemia de gripe não é uma questão de se, mas de quando, de de Dâmares Bernardino Pereira

16 novembro 2021

“Quando falamos de uma próxima pandemia de gripe não é uma questão de se, mas de quando, de de Dâmares Bernardino Pereira

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É o que cirurgicamente afirmou o Dr. Dennis Carroll, na série documental “Pandemia”, lançada pela Netflix no dia 7 de novembro de 2019, pouco antes do surto global do coronavírus. Diretor USAID, ele é um dos pesquisadores que têm suas trajetórias narradas no documentário, que visa apresentar o trabalho de profissionais no constante monitoramentos e estudos de dados coletados sobre uma preeminente pandemia global. Dado que o vírus estudado seria transmitido através de animais, ou mais especificamente, por aves, os seres humanos não teriam os anticorpos necessários para combatê-los de imediato, o que se desdobraria num maior índice de letalidade e, por consequência, em maior contaminação.

Dessa forma, há o acompanhamento contínuo e testagem realizadas em aves em diversas regiões do globo a fim de que, uma vez constatada a eminência de aparecimento de um novo vírus, haveria uma robusta tentativa de impedir que causasse danos muito desastrosos.

Além de trazer à tona o trabalho de pesquisadores que atuam ativamente na tentativa de detecção e no monitoramento dos vírus, a série traz ainda episódios sobre como a infraestrutura dos países estaria – ou não – preparada para receber pacientes infectados. Na maioria dos países documentados (como por exemplo Índia, Estados Unidos e RepúblicabDemocrática do Congo), constata-se que já há uma sobrecarga na capacidade de seus hospitais e, que, como desdobramento disso, a possível chegada de pacientes infectados por uma nova doença superlotaria os leitos utilizados e demandaria maior suporte técnico de profissionais qualificados e de insumos necessários para o atendimento. Dessa forma, é também interessante a forma como pontuam a sobrecarga emocional carregada pelo corpo médico, que muitas vezes se desdobram para atender da melhor forma os pacientes mesmo sem os insumos necessários.

Também importante para contenção e diminuição dos números de infectados, a conscientização da população acerca da eficácia e necessidades das vacinas é outro tema amplamente debatido no documentário. A Drª Syra Madad atua no monitoramento e preparação de equipes médicas para o enfrentamento do vírus, ao mesmo tempo também em que realiza reuniões e palestras com alguns grupos da sociedade civil para debater e informá- los acerca desta problemática. Entretanto, em contraponto a todo este trabalho, é evidenciado o crescente movimento antivacinas, seja alegando um suposto direito de liberdade pessoal

sobre o seu corpo, ou ainda questionando qual seria sua real eficácia, ponderando entre quais poderiam ser seus benefícios e desvantagens. Isso ocorre desde manifestações organizadas que protestam contra as vacinas até o depoimento de mães que não querem que seus filhos sejam vacinados, apresentando um obstáculo a mais a ser enfrentado.

Por fim, já final, no 6° episódio do documentário, é apresentado o resultado final da pesquisa de Jacob Glanville e Sarah Ives, da empresa Distributed Bio, em San Francisco, em que estudam desenvolver uma única vacina que seja eficaz para todos os tipos de gripe, apresentando resultados positivos inclusive sobre futuras eventuais mutações do vírus e, adicionalmente, pleiteiam fazer com que a vacina seja aplicada em dose única. Com previsão de conclusão dos experimentos e possível distribuição até 2025, o documentário mostra que a pesquisa desenvolvida por eles e que fora testada primeiramente em porcos demonstrou até então resultados positivos, sendo necessária a testagem também em humanos e, como brevemente citado anteriormente, reduzirem o número de dozes para que seja aplicada uma única vez, já que, até aquele momento, eram necessárias 7 doses da vacina.

Dessa forma, apesar de coincidentemente ter sido produzido e lançado pouco antes da disseminação pandêmica do vírus, o documentário é uma rica fonte de estudos, pesquisa, conscientização e principalmente mapeamento da atual estrutura global para enfrentamento de novos vírus, apresentando quais as futuras perspectivas para seu combate e também seus principais empecilhos. Além disso, é importante ressaltar ainda que tal discussão e adoção de medidas preventivas à disseminação de em novo vírus sempre foi constantemente monitorado e estudado há anos por vários órgãos internacionais relacionados à saúde, principalmente a OMS. O Global Health Security Index também tem grande relevância neste mapeamento, uma vez que traz dados de 195 países das quais são avaliados as categorias de 1) Prevenção,

2) Detecção, 3) Resposta, 4) Saúde, 5) Normas e 6) Riscos; dentre as quais o Brasil se destaca por ocupar o 1° lugar nas subcategorias de Integração de dados entre os setores de saúde humana/animal/ambiental; Restrições de comércio e viagens e Capacidade para testar e aprovar novos medicamentos; ocupando, assim, o 22° lugar de forma geral. Nesse sentido, observa-se um arcabouço e estruturas globais que seriam capazes de atuar de forma assertiva e coordenada no combate ao vírus, dado os trabalhos constantes e de longo prazo que já vinham sido realizados por especialistas dedicados à esta temática.

REFERÊNCIAS

https://www.globalviromeproject.org/who-we-are/leadership/dennis-carroll

https://veja.abril.com.br/blog/tela-plana/pandemia-serie-da-netflix-e-uma-otima-aula-para- tempos-de-coronavirus/

https://www.ghsindex.org/

https://www.ghsindex.org/country/brazil/

https://www.scty.org/syra

https://www.centivax.com/jake

https://www.centivax.com/sarah

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