Le Monde Diplomatique: A era das sindemias

13/11/2021
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O enfrentamento à pandemia no Brasil foi planejado sobretudo visando a expansão do número dos leitos de internação existentes e na criação de hospitais de campanha para tratamento de casos já confirmados de Covid-19 e Síndrome Respiratória Aguda Grave. Diferentemente de outros países, não houve ampla testagem de casos, vigilância genômica, monitoramento de contatos e execução regular de políticas sociais que subsidiassem a permanência da população mais pobre em casa durante o período anterior à imunização, aumentado as diferenças sociais abissais já existentes. O combate à doença foi concentrado somente na adoção de medidas quarentenais de isolamento social que remontam o séc. XVIII.

Todos estes fatores impactam diretamente em problemas assistenciais de doenças já existentes, com abandono de tratamento e retardação do diagnóstico de doenças crônicas. Aliado à pandemia, o desmonte de programas da atenção básica e estratégia de saúde da família, que já vinham em crescentes índices, inviabilizam ainda mais a produção do cuidado para as doenças não infecciosas, somatizando o processo de sindemia.

Apesar dos programas exitosos do SUS, o desfinanciamento da saúde pública e o redirecionamento dos recursos de programas de saúde para tratamento da Covid-19 são fatores que implicam em maiores danos pós-pandemia, pois além dos casos de “Covid longa”, com diferentes sequelas para acompanhamento, ainda há de se tratar as doenças crônicas não diagnosticadas ou agravadas pela falta de acesso aos serviços de saúde, principalmente da população exclusivamente SUS dependente, que é majoritariamente vulnerabilizada e concentra maiores índices de doenças ligadas ao estilo de vida.

Enviado por Letícia Gabriela da Silva

Notícia de Paula Johns, Mônica Andreis, Marcello Baird e Laura Cury disponível em Le Monde Diplomatique Brasil: https://diplomatique.org.br/a-era-das-sindemias/

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