Contraste de abordagens frente à pandemia de Covid-19 em diferentes países, de Lucas Inafuku

26/09/2021
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A professora de saúde global da Universidade de Michigan, Elizabeth King indaga a respeito de um problema comum ao mundo apresentar resultados completamente diferentes.

Evidente que a conduta frente ao cenário pandêmico atual depende de fatores, por vezes distintos, como emprego de tecnologias, uso adequado dos meios de comunicação para emissão da informação e protocolos a serem seguidos, conduta individual e coletiva, além de outros.  O que confere certa união na condução da situação é a gestão dos países, que se mostram dissonantes em alguns casos, a exemplo do lamentável modus operandi do Brasil, sob o comando do presidente Jair Bolsonaro, que infelizmente emite desinformações acerca do contexto atual desencorajando protocolos de segurança comprovados como uso de máscaras e distanciamento social.

Países como Brasil e Estados Unidos apresentam condições para lidar de maneira mais efetiva com a pandemia, uma vez que em nosso território há forte presença do SUS, o maior sistema público de saúde do mundo, que entrou em colapso frente a alta demanda, e os EUA, se apresentando como uma das nações mais desenvolvidas economicamente, porém devido a fatores políticos a comando dos presidentes Jair Bolsonaro e anteriormente a Biden, Donald Trump o cenário foi se agravando, com aumento do número de casos e mortes. As manobras adotadas foram mirar na errônea ideia da imunidade de rebanho além de, claro, minimizar o risco do coronavírus bem como a falta de incentivo para a adesão à vacinação. A ineficácia se instaura, não pela sua infraestrutura, mas sim nas más condutas políticas adotadas pelos países americanos (Ventura, Aith e Reis, 2021).

Para que haja uma eficácia no combate ao vírus é necessário um esforço coordenado de entidades globais, nacionais e regionais, sendo a área da saúde incumbida de realizar um trabalho árduo em grande parte, evidenciando a necessidade de um trabalho integrado com as políticas de saúde, que devem ser valorizadas não apenas nos momentos pandêmicos (WHO, 2021).

Na outra ponta do iceberg e do mundo, temos a Nova Zelândia, um exemplo a ser seguido. A primeira-ministra Jacinda Ardern adotou medidas mais rígidas de isolamento social e fechamento de fronteiras, atitude tal que acarretou em diminuição da disseminação do vírus no país.

King e colegas buscaram entender fatores que influenciaram na saúde pública dos países, evidenciando que apenas uma estrutura sólida para sua concretização não basta, afinal países mais deficitários nesse sentido conseguiram apresentar uma resolutividade significante com testagem em massa e rastreio de casos mais eficazes, como Coreia do Sul e Vietnã.

No Japão, segundo o professor de virologia Hitoshi Oshitani, o país resolveu adotar um modo bem singular no combate à doença, que consiste basicamente em conviver com ele, uma vez que o mesmo não pode ser eliminado, lembrando que nem a vacina elimina o vírus e sim, confere proteção contra seus efeitos adversos. Assim como houve preferência por isolamento social, rastreio e testes em massa como citado acima, o Japão entendeu que conviver com o vírus seria a melhor solução, balanceando os prejuízos e benefícios referentes à saúde e economia, todavia tal medida foi na contra mão da opinião de muitos cidadãos japoneses e outros países, inclusive os asiáticos, que obtiveram uma melhor resposta com aderência de ações mais incisivas.

Sua cultura é um fator determinante na escolha da resolutividade da doença pois é sabido que os japoneses são mais propensos a manter um maior distanciamento social, ainda mais se comparado com a sociedade ocidental, além disso no país há uma forte presença do que se pode chamar de ‘’foro íntimo’’, no qual nenhum cidadão gostaria de ser responsável pelo contágio de outrem. O país então foca na interrupção do contágio por distanciamento social, bom senso e uso de máscaras, mesmo que a pessoa aparente estar saudável, pois anteriormente aos avanços da descoberta do vírus, já levavam em conta que os assintomáticos são potenciais transmissores da doença (Oshitani, 2021).

Apesar dessa peculiaridade cultural, é importante observar que o país não apresentou resultados satisfatórios, sendo mais aconselhável uma maior restrição de circulação de pessoas. Evidente que se a manobra adotada pelo país nipônico fosse implementada em outros países, o resultado provavelmente seria bem mais catastrófico devido aos aspectos comportamentais e culturais, porém o olhar ‘’conviver com o vírus’’ deve ser encarado de maneira extremamente crítica, uma vez que abre brecha para uma maior circulação do vírus. Outro acontecimento polêmico que merece um olhar cauteloso são as olimpíadas de Tóquio, evento esse, que acarretou em maior número de infectados devido à maior circulação, demonstrando que o olhar de convívio do vírus pode não ser eficaz quanto se alegava, além de Oshitani demonstrar dúvida em relação a segurança dos jogos frente ao cenário.

É importante ressaltar que não há uma única abordagem na contenção do vírus, sendo possível adquirir êxito nas suas diferentes vertentes, porém devendo ser feito com certa agilidade, como evidenciado pelo cenário pandêmico atual, além de uma visão crítica referente às ações adotadas. Salienta-se a valorização de uma ação conjunta das políticas de saúde com os profissionais da saúde, que se mostram extremamente sobrecarregados pela alta demanda de pessoas que necessitam de suporte.

Bibliografias:

Coronavírus: por que alguns países são mais eficientes que outros na luta contra a covid-19 – BBC News Brasil

Coronavírus: como o governo da Nova Zelândia eliminou os casos de infecção no país – BBC News Brasil

Pandemia de covid-19: A polêmica estratégia do Japão de ‘conviver’ com o coronavírus – BBC News Brasil

Sistema Único de Saúde (SUS) | Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (saude.mg.gov.br)

The catastrophic Brazilian response to covid-19 may amount to a crime against humanity – The BMJ

COVID-19: Make it the Last Pandemic (theindependentpanel.org)

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