‘Cadernos de Saúde Pública’ de abril destaca a saúde dos imigrantes

Informe ENSP – Foi lançada a revista Cadernos de Saúde Pública de abril de 2018 (vol.34 n.4) com o tema Imigração, saúde global e direitos humanos. A pesquisadora Miriam Ventura, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, assina o editorial da publicação destacando a condição de saúde dos imigrantes como um aspecto central para a sua inserção e integração à sociedade por exigir compreender o processo saúde, doença e cuidado desses grupos, e refletir sobre as respectivas responsabilidades dos Estados. Para ela, explorar a articulação e vinculação entre direitos humanos e saúde global pode ser uma chave para avançar nas questões de saúde imigratórias, e fortalecer o argumento de que a saúde das pessoas deve ser sustentada por um esforço coletivo internacional, cooperativo e sem fronteiras, que permita a reorganização dos países e uma governança em saúde, que ultrapasse as ações de controle das epidemias e pandemias. “Espera-se que essa proposta fortaleça as recomendações internacionais em prol dos sistemas universais de saúde e das necessárias mudanças de políticas e práticas de saúde locais em relação aos imigrantes”, salienta ela.
O editorial do Cadernos informa que, no Brasil, a migração dos haitianos trouxe a discussão sobre a aplicação do estatuto dos refugiados (Lei nº 9.474/1997) no caso da motivação não política. Além dos obstáculos legais relativos à documentação, revelou-se a ausência de estratégias e políticas para o acolhimento, atitudes discriminatórias e inúmeras dificuldades de integração.
Os desafios, segundo Miriam, estão centrados na sustentabilidade dos sistemas de saúde nacionais; no efetivo acesso à atenção integral de saúde de nacionais e imigrantes; nos meios e recursos adequados para o enfrentamento das doenças transmissíveis e não transmissíveis de impacto local e mundial; na captação e alocação de recursos para pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico que atendam à maioria da população mundial.
São vários artigos nesse número temático do Cadernos, entre eles, Fenótipo cintura hipertrigliceridêmica: fatores associados e comparação com outros indicadores de risco cardiovascular e metabólico no ELSA-Brasil, de autoria de Roberta Souza Freitas, da Universidade Federal da Bahia; Maria de Jesus Mendes da Fonseca, da ENSP; Maria Inês Schmidt,  da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Maria del Carmen Bisi Molina, da Universidade Federal do Espírito Santo; Maria da Conceição Chagas de Almeida, do  Instituto Gonçalo Moniz, Fundação Oswaldo Cruz. O objetivo do estudo foi estimar a prevalência do fenótipo cintura hipertrigliceridêmica (FCH) em participantes do Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), identificar fatores de risco associados e comparar com outros indicadores de risco cardiovascular e metabólico. Trata-se de um estudo transversal com dados da linha de base de uma coorte de servidores públicos. O FCH é definido pela presença simultânea de circunferência da cintura (CC) aumentada (≥ 80cm para mulheres, ≥ 90cm para homens de acordo com a Federação Internacional de Diabetes – IDF; e ≥ 88cm para mulheres, ≥ 102cm para homens de acordo com o Programa Nacional de Educação sobre o Colesterol dos Estados Unidos – NCEP) e hipertrigliceridemia. O FCH foi comparado também com outros indicadores de risco cardiovascular e metabólico por meio de testes de correlação, índice kappa, sensibilidade e especificidade. Após exclusões, foram analisados 12.811 participantes. FCH foi associado a ter idade mais avançada, ao consumo excessivo de álcool, ser ex-fumante, apresentar HDL baixo, não-HDL alto e PCR aumentado, independente do sexo ou critério de definição. FCH associou-se a indicadores de risco cardiovascular, especialmente à síndrome metabólica. A elevada prevalência de FCH e sua associação com indicadores de risco cardiovascular, especialmente com a síndrome metabólica, apoia sua utilização como ferramenta de triagem de risco cardiometabólico na prática clínica.
No artigo, Prevalência e características dos eventos adversos a medicamentos no Brasil, dos pesquisadores Livia Alves Oliveira de Sousa,  Marta Maria de França Fonteles, Mirian Parente Monteiro e Paulo Sergio Dourado Arrais, da Universidade Federal do Ceará; Sotero Serrate Mengue e Tatiane da Silva Dal Pizzol, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Andréa Dâmaso Bertoldi, da Universidade Federal de Pelotas; Noemia Urruth Leão Tavares, da Universidade de Brasília; Maria Auxiliadora Oliveira e Vera Lucia Luiza, da ENSP; Luiz Roberto Ramos, da Universidade Federal de São Paulo; e Mareni Rocha Farias, da Universidade Federal de Santa Catarina, é possível conhecer a dimensão do problema ocasionado pelo uso de medicamentos no Brasil. O trabalho descreve a prevalência e fatores associados a eventos adversos a medicamentos (EAM) referidos por usuários de medicamentos no Brasil, realizado no período de setembro de 2013 a fevereiro de 2014, com dados coletados na Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos (PNAUM). Foram consideradas todas as pessoas que referiram o uso de medicamentos; entre elas, foram identificadas as que referiram pelo menos um problema com o uso do medicamento. Os EAM foram mais relatados para os medicamentos fluoxetina, diclofenaco e amitriptilina, e os mais referidos pelos entrevistados foram sonolência, dor epigástrica e náuseas.
Acesse todos os artigos do Cadernos de Saúde Pública de abril de 2018 (vol. 34 n.4).
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