Diplomacia em Saúde e Saúde Global: perspectivas latino-americanas – Lançamento da Editora Fiocruz

Durante cerca de uma década, o Brasil viveu uma extraordinária experiência de inserção internacional no campo da saúde pública. No Prefácio da obra “Diplomacia em Saúde e Saúde Global”, organizada por Paulo Buss e Sebastián Tobar, o Embaixador Celso Amorim faz referência à expressão “política internacional da saúde”, arena em que o Brasil exerceu significativo protagonismo, tendo na cooperação Sul-Sul e na promoção da integração regional dois dos pilares fundamentais de sua atuação, a ponto de abrigar definitivamente no Rio de Janeiro (RJ) o Instituto Sul-americano de Governo em Saúde – ISAGS/UNASUL. As características e os efetivos resultados de tal protagonismo começam a ser estudados em profundidade por pesquisadores de diversos países e disciplinas – algo que deve ser encorajado porque a compreensão crítica desta história recente é imprescindível para o futuro da atuação brasileira. Neste sentido, a obra ora lançada pela Editora da Fiocruz constitui uma contribuição fundamental, com a adicional qualidade de aportar, para além do caso brasileiro, um prisma latino-americano. No livro estão presentes autores que, independentemente das posições que venham a ser assumidas por representantes de um Estado brasileiro em franca decadência ética, permanecerão como referências de uma posição crítica sobre a governança global da saúde, como é o caso dos Organizadores. A obra sistematiza um acervo construído pelos pesquisadores da Fiocruz, instituição cuja excelência qualificou sobremaneira a atuação internacional brasileira, mas que também foi pioneira em matéria de produção acadêmica no domínio emergente da saúde global. Estão presentes contribuições, além dos Organizadores, de Celia Almeida, Ligia Giovanella, José Paranaguá de Santana, Roberto Ferreira e Luiz Eduardo Fonseca, entre outros renomados pesquisadores da Fiocruz. Mas a obra excede este acervo, dando voz a autores oriundos de outras instituições que são referências nacionais e internacionais da área, como Ilona Kickbusch, Oscar Feo, Ronald Labonté, Mario Dal Poz e Volnei Garrafa, entre outros destacados convidados. Estruturado em cinco partes, o livro tece considerações conceituais valiosas em um campo marcado pela polissemia de suas categorias básicas (Parte I); identifica desafios contemporâneos em matéria de saúde global e diplomacia da saúde (II); enfoca a saúde e o desenvolvimento sob a ótica da governança (III); debruça-se, enfim, sobre a cooperação e a diplomacia em saúde no Brasil (IV) e algumas aplicações da diplomacia em saúde (V). O livro conta ainda, em suas orelhas, com o comentário de José Gomes Temporão, que exerceu as funções de Ministro da Saúde do Brasil e Diretor do ISAGS naquele áureo período. Temporão destaca “a clara importância da saúde como questão internacional”. Além do material didático indispensável que é, o conteúdo da obra aqui comentada tem o potencial de deflagrar uma profunda reflexão, apta a evitar o retrocesso quanto ao reconhecimento desta importância destacada por Temporão e a oferecer embasamento para a resistência que se impõe (Deisy Ventura, 14/9/2017).

Obra disponível para aquisição no site da Editora Fiocruz.

 

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