Tecnologia, Desigualdade e Saúde – por Mariana Sati

Em um primeiro momento, é clara a relação entre desenvolvimento tecnológico e melhorias na saúde. Basta pensar nas cirurgias cardíacas robóticas e quase nada invasivas, sobretudo se comparadas àquelas de coração aberto, realizadas anteriormente. Ou então nos avanços realizados em relação aos membros protéticos, que fazem com que as pessoas que sofreram alguma amputação consigam ter uma vida normal e independente.

No entanto, as novas tecnologias médicas encarecem os planos de saúde. Nos Estados Unidos, por exemplo, as novas tecnologias utilizadas correspondem a quase metade do crescimento nos custos médicos. Dessa forma, os planos privados se tornam ainda mais inacessíveis a grande parte da população.

Além disso, o avanço da tecnologia na era digital, apesar de melhorar a média da qualidade de vida das pessoas, também aumenta a desigualdade entre elas. Inclusive, nos últimos anos, alguns indicadores, como expectativa de vida, caíram entre certos grupos populacionais.

A automatização de atividades mais simples e rotineiras faz com que pessoas com menos recursos e, consequentemente, menos capacitação, percam seus empregos, ou então recebam salários cada vez menores.

Isso faz com que a mobilidade social também seja reduzida: pessoas mais pobres têm cada vez menos chance de conseguir bons empregos, que pudessem permitir oferecer melhores condições aos seus filhos. Dessa forma, a situação de pobreza em que se encontram não só se agrava, mas se autoperpetua.

Outro ciclo vicioso se forma: as pessoas mais qualificadas, capazes de lidar com tecnologia e de realizar tarefas criativas, são cada vez mais requisitadas e recebem melhores salários. Esse poder econômico se reflete em cada vez mais pode político, e, por sua vez, esse poder político é usado para aumentar seus benefícios econômicos, deixando os pobres à margem.

Essa crescente desigualdade social por si só já seria capaz de prejudicar o acesso à saúde pelas pessoas mais pobres. No entanto, aliada aos custos médicos cada vez maiores, essa situação se potencializa.

O progresso na medicina já não é mais suficiente para compensar o acesso desigual a ela. Embora os procedimentos médicos se tornem mais efetivos e menos agressivos, são poucos os que podem usufruir deles.

É certo que as novas tecnologias da era digital têm um grande potencial para transformar a sociedade, para melhor, mas enquanto seu desenvolvimento se der sem que todos tenham acesso a elas, esse potencial será desperdiçado.

Por Mariana Sati de Mattos, graduanda da USP e aluna da disciplina Saúde Global

Referências:

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/622156/mod_resource/content/1/Erik-Brynjolfsson-Andrew-McAfee-Jeff-Cummings-The-Second-Machine-Age.pdf

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