Acolhimento: Humanização da Atenção Primária à Saúde – por Leticia Takarabe

Uma reflexão que fiz em praticamente todas as aulas da disciplina Saúde Global ao longo do semestre é a questão do acesso e do direito à saúde que um ser humano possui, e, por isso, pensava também que, mesmo que -teoricamente- os indivíduos tenham acesso a serviços de saúde, como devem ser idealizados e colocados em práticas essas prestabilidades? Dessa forma, acredito ser importante destacar a inserção do “Acolhimento” como estratégia da Atenção Primária para humanizar o atendimento dos serviços do Sistema Único de Saúde brasileiro, que, durante seu processo de construção, empoderou os municípios a assumirem a responsabilidade pela atenção à saúde de seus munícipes, sobretudo na Atenção Básica.

O objetivo da humanização do atendimento abrangeria a democratização das relações que envolvem o atendimento, um diálogo melhor entre paciente e profissional da saúde – com maior proximidade – e o reconhecimento dos direitos do paciente, de sua subjetividade e cultura, tornando a relação entre aquele que atende e o que está sendo atendido mais acolhedora e pautada no reconhecimento da alteridade, como menciona Teixeira (2005). Ou seja, o paciente estaria inserido no serviço de forma integral, sendo ouvido e acolhido pela equipe de saúde.

De acordo com Rocha et. al. (2008), o Acolhimento é uma ferramenta introduzida na Atenção Primária e que apresenta como diretriz a possibilidade de melhorar a relação usuário-serviço, sob o olhar específico da acessibilidade sobre os momentos nos quais os serviços constituem seus meios de recepção dos usuários, em que local, em que circunstâncias, qual finalidade e resultados. Ou seja, se atentar à integralidade do cuidado, entendendo o contexto da presença do paciente naquele espaço, não somente os sintomas de sua doença.

Participo de um projeto de extensão na faculdade em que fazemos atendimentos em cidades carentes do Brasil, e nele foi implementado o Acolhimento. Assim que a ficha do paciente era aberta no posto de atendimento, ele era direcionado ao Acolhimento, feito por nós estudantes. Nesse momento, tentávamos deixar o usuário do nosso serviço à vontade, deixando claro que era apenas uma conversa inicial e não a consulta com o profissional de saúde. Assim, perguntávamos o que trazia aquele indivíduo ao nosso Projeto, e ao longo da conversa tentávamos perceber outras necessidades trazidas por aquela pessoa, como demandas psicossociais ou visuais, como manchas na pele ou necessidade de atendimento odontológico, que nem sempre eram as demandas principais do paciente. Dessa forma, o Acolhimento é um processo que, de acordo com Rocha et. al. (2008), trabalhadores tomam para si a responsabilidade de intervir em uma dada realidade a partir das principais demandas de saúde, buscando uma posição acolhedora e humanizada para promover a saúde nos níveis individual e coletivo.

Por Leticia Takarabe, graduanda da USP e aluna da disciplina Saúde Global

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