Epidemia de zika pode acabar em um ano e meio: como isso altera as políticas de saúde?

Em estudo publicado pela revista “Science” no dia 14 de Julho de 2016, foram feitas projeções sobre a propagação do vírus zika na América Latina. Neil Ferguson, pesquisador chefe do trabalho “Combatendo o vírus zika na América Latina” afirmou que ainda faltava cerca de um ano e meio para que houvesse um fim à epidemia na região.

Segundo o estudo, o tamanho e a velocidade de propagação da doença, assim como o risco dela tornar-se endêmica, são determinados por três fatores: a transmissibilidade da infecção; tempo de geração – o intervalo médio entre a infecção de uma pessoa e a de outra por meio dela; e  conectividade das populações – mobilidade humana entre regiões. Assim, o trabalho afirma não apenas o fim da epidemia dentro de três anos após seu início, como também um retorno após uma década. Para esse cálculo, baseia-se na ideia da “imunidade de bando”, onde um grupo de indivíduos, quando entram em contato com a doença e criam imunidade a ela, limitam a transmissão e disseminação dentre população. Ainda assim, quando mais pessoas nascerem, o número de membros dessa população imune diminui, o que gera um retorno da epidemia.

A projeção dos autores é de que a doença se tornará endêmica, não necessariamente resultando em epidemias, mas sim em focos anuais, como é o caso da dengue. O estudo ainda conta com análise do fator climático, como por exemplo o El Niño, que pode afetar o comportamento do mosquito em certas áreas, e o impacto sobre políticas de saúde pública, sugerindo modelos para prever a forma como o vírus de propaga. A pesquisa sugere ainda que a vacinação não é o caminho a ser seguido, dado que quando estiver pronta a epidemia já poderá ter acabado, assim como o controle do mosquito Aedes aegypti é improvável, podendo barrar momentaneamente o avanço da doença, mas não evitando uma epidemia.

O trabalho também critica as medidas tomadas pelo governo quanto às mulheres grávidas,
às quais as recomendações foram evitarem a gravidez, o que nem sempre é uma questão fácil ou de escolha própria, dado que a informação sobre o assunto, principalmente no início da epidemia, era escassa e mal distribuída. Segundo o estudo, é necessário entender a forma como a epidemia se comporta em cada local, proporcionando uma maneira mais precisa de determinar quando o alerta antigravidez deve ser levantado.

 Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/07/15/Epidemia-de-zika-pode-acabar-em-um-ano-e-meio.-No-que-isso-altera-as-pol%C3%ADticas-de-sa%C3%BAde

Enviado por Julia Granato

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