Como o desemprego está criando ‘funcionários-polvo’ e aumentando pressão sobre quem trabalha

A crise brasileira que vem se arrastando nos últimos anos parece não estar tão próxima de terminar. Os mais recentes eventos da política brasileira apontam para uma recuperação da confiança do mercado não tão rápida quanto a prevista em meados de 2015. Em termos macroeconômicos isso significou o atingimento de 13,7% na taxa de desemprego; os cortes de funcionários e a falta de estímulo de contratação em alguns setores tem deixado 14,2 milhões de brasileiros sem trabalho1. Obviamente, àqueles que perdem seus empregos estão sujeitos a dificuldades em muitos âmbitos e na queda da qualidade de vida, fatores estes que tendem a impactar direta e indiretamente questões de saúde.

Entretanto, permanecer trabalhando em empresas que passaram por grandes cortes de funcionários também pode revelar uma perda significativa na qualidade de vida e na piora da saúde dos indivíduos. A matéria a seguir aborda os denominados “funcionários-polvo”, aqueles que “sobreviveram” às demissões e que a partir de então passaram a acumular funções e atividades de ex-colegas de trabalho.

O que em um primeiro momento aparenta trazer um aumento de produtividade, onde um funcionário passa a desenvolver mais tarefas, resulta em um quadro de trabalhadores cansados e doentes, em pouco tempo. A concentração de funções, o aumento da pressão no ambiente de trabalho, o medo recorrente de uma possível perda de emprego e o aumento da jornada de trabalho diária tem resultado em um aumento considerável de funcionários cansados e suscetíveis a doenças crônicas tais como enxaqueca, tendinite e síndrome de esgotamento.

O que se pode depreender da reportagem é que o fim da crise ou do desemprego não seria o suficiente para restabelecer um nível de qualidade de vida ou de saúde minimamente aceitável e sustentável. É preciso que as questões ligadas à saúde2 do trabalho continuem a ser reguladas, fiscalizadas e resguardadas pelo Estado, uma vez que as instituições privadas não a entendem como um direito, mas sim como um recurso necessário para o processo produtivo.

Link para a matéria: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-38791173

1Fonte: PNAD Contínua, IBGE

Enviado por Maria Alice Vellame

 

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