Saúde Mental e a Pós-Graduação

O Pesquisador Robson Nascimento da Cruz, da PUC-SP, fala para a TV UFMG sobre os desafios do aluno de Pós-Graduação no Brasil e o forte índice de psicopatologias relacionadas ao período de Pós-Graduação.

A transição da graduação para a pós-graduação é um processo muito difícil pois há uma mudança no estilo de vida. O estudante é cobrado por sua escrita, de forma muito diferente da graduação, em que é avaliado de diversas maneiras. A expectativa do estudante de graduação em relação à pós graduação é bastante abstrata, o que contribui para a geração de frustrações no processo.

O pesquisador aconselha que o estudante busque conhecer e entender melhor como é a vida de um pós-graduando antes de se tornar um. Conhecer as atividades e o dia a dia são conhecimentos essenciais para diminuir as frustrações e escolher, de forma mais esclarecida, o caminho da Pós Graduação.

Como psicólogo clínico, o pesquisador atende outros pesquisadores e sente que na área de Humanas há uma cobrança ainda maior: a auto-cobrança de saber escrever bem. O aluno da Pós imagina que já deve começar o Mestrado com domínio da escrita, processo que aumenta o nível de ansiedade, e pode trazer o famoso “bloqueio” de escrita ou um “travamento” para escrever – algo que acontece com escritores acadêmicos de forma desproporcional, se comparada com outros escritores.

A hipótese com que o pesquisador trabalha é de que o ambiente da pós graduação sinaliza para os estudantes que “não dar conta” é fracassar. A possibilidade de desistência é silenciada e assim se silenciam muitos alunos que passam a ver a desistência como fraqueza e que sofrem com psicopatologias. Não há margem para os alunos assumirem o sofrimento e a realidade do trabalho que é ser pós graduando, para Robson.

Contrastando a expectativa, bastante abstrata, com a realidade do Mestrado e do Doutorado, Robson afirma: a Pós Graduação é um trabalho e deve ser encarado como tal. É um trabalho e o aluno que a encara como tal, para ele, tem as melhores chances de ter um processo saudável.

Enviado por Luísa Tarzia
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Um pensamento sobre “Saúde Mental e a Pós-Graduação

  1. Excelente correlação, muito pertinente não só à pós-graduação, mas a todas as etapas da vida acadêmica de um estudante.

    Além disso, acredito ser importante pontuar que a saúde física dos estudantes também não é respeitada ao longo de sua trajetória. A obrigação de passar horas sentados – seja em sala de aula ou em período de estudo – é extremamente prejudicial à saúde, como indicam estudos recentemente publicados (https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/bem-estar/ficar-muito-tempo-sentado-pode-aumentar-o-risco-de-morte,92083f04c2f27310VgnCLD100000bbcceb0aRCRD.html). Outro ponto prejudicial é a grande demanda de tempo das atividades estudantis, que muitas vezes tiram tempo de lazer ou das atividades físicas do aluno ou mesmo tempo para realizar atividades rotineiras, como cozinhar uma refeição saudável ou conseguir passar em consulta médica quando necessário.

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