Por que o Japão tem as menores taxas de obesidade do mundo

A obesidade tem crescido a índices alarmantes. Em um recente e abrangente estudo,  foram compilados dados de 195 países, entre 1980 e 2015. Os dados apontam que cerca de 2,2 bilhões de pessoas no mundo, entre adultos e crianças, o que corresponde a quase um terço da população mundial, pesa mais do que deveria.

No estudo, publicado no “The New England Journal of Medicine”, estima-se que dentre esses 2,2 bilhões, estima-se que 605 milhões de adultos e 110 milhões de crianças estejam não só acima do peso, como obesas. A taxa de obesidade, segundo o estudo, dobrou em 73 países entre 1980 e 2015.

A obesidade se define, de forma simplista, pelo Índice de Massa Corporal (IMC) do indivíduo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, pessoas obesas tem IMC maior ou igual a 30 kg/m². O sobrepeso e a obesidade são vistos atualmente como uma epidemia global pela OMS.

A epidemia preocupa pois se relaciona diretamente com um maior risco para diversas doenças, em especial crônicas, como a diabetes, doenças cardiovasculares (com destaque para o infarto), problemas ósseo-musculares e até certas formas de câncer.

O Japão está na contramão dessa tendência ao investir em alimentação saudável, exercícios diários e políticas públicas para a alimentação. Além do papel da culinária tradicional japonesa, tida como “modelo global de culinária saudável” pelo Diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, o brasileiro José Graziano da Silva, é possível destacar as medidas tomadas pelo governo japonês para garantir a saúde da população através da alimentação.

Com o aumento dos fast-foods, o governo japonês passou a promover sua culinária tradicional e implementando medidas efetivas de combate a obesidade, dando especial atenção às merendas escolares, ao que o governo propôs dietas estritas para as crianças, além da obrigatoriedade da padronização das refeições escolares, nos anos 1970.

Nos anos 2000, somado ao incentivo da caminhada para ir à escola, duas leis influenciaram esse cenário de incentivo à uma alimentação saudável: a primeira, determina processos como cardápios saudáveis nas escolas e contratação de nutricionistas profissionais que também tenham formação como professores para dar aulas específicas sobre alimentação; e a segunda, que determina limites máximos de medida de cintura para adultos entre 40 e 75 anos, gerou controvérsia no país. Aqueles que não estiverem dentro dos limites são encaminhados para nutricionista e reuniões para aconselhamento de alimentação saudável e exercícios. O não cumprimento das normas pode levar a multas por parte dos empregadores das pessoas e das autoridades municipais do local onde residem.

Enviado por Luisa Tarzia

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/06/14/Por-que-o-Jap%C3%A3o-tem-as-menores-taxas-de-obesidade-do-mundo?utm_campaign=a_nexo_2017616&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

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2 pensamentos sobre “Por que o Japão tem as menores taxas de obesidade do mundo

  1. Olá, Luiza! Achei a notícia que nos trouxe muito interessante. Nela, o autor aborda que “o número de pessoas acima do peso ideal só aumenta no mundo” e o que tenho a dizer, frente à isso, é muito próximo a um comentário que fiz no post sobre a influência do Instagram na saúde mental dos adolescentes: não existe um peso ideal e um peso aumentado, apenas, não é um bom determinante de um maior risco de desenvolvimento de doenças graves. Hoje, alguns estudos vêm abordando a capacidade de se apresentar um peso fora do considerado ideal e ter um metabolismo saudável. O metabolismo é influenciado por vários fatores e não apenas pelo peso, por exemplo, o tipo de gordura que uma pessoa apresenta, vai ter muita influência sobre os tipos de riscos que a mesma pode desencadear – a gordura visceral tem muito mais influências negativas no metabolismo que a gordura subcutânea. Infelizmente, não é o quadro majoritariamente visto frente à alimentação atual extremamente industrializada da população, porém, é importante se atentar a isto e não generalizar, mesmo que a obesidade apresente, na maioria das vezes, um risco à doenças cardiovasculares, por exemplo, pois, nem todos os obesos sofrem disso, principalmente aqueles que praticam atividade física – o exercício físico oferece incríveis resultados ao metabolismo humano.
    Porém, as informações que a notícia traz sobre as ações que o Japão apresenta frente à epidemia global de obesidade é extremamente importante, quando observamos as ações na merenda escolar e a “lei da cintura fina”, vemos um grande potencial de controle e prevenção não só da obesidade, mas, principalmente, das doenças graves. A circunferência de cintura é um ótimo indicador para o risco de desenvolvimento de doenças e a alimentação infantil é capaz de determinar muitos fatores metabólicos que apresentarão reflexões até a vida adulta. Dessa forma, acredito que essas atitudes do Japão tenham que servir como espelho para os outros países.

  2. A notícia trazida neste post é bastante interessante, num mundo em que a obesidade se estabelece como problema de saúde pública de modo generalizado. Também vale muito para uma contextualização em relação à realidade brasileira

    Vale a pena partir do trecho em que o texto elenca, taxativamente, as causas de as taxas de obesidade manterem-se em patamares aceitáveis no Japão: “A explicação para o fenômeno das baixas taxas de obesidade no Japão se resume em três aspectos: uma alimentação tradicional saudável, a prática diária de exercícios e políticas públicas efetivas.”

    Ainda que os três pontos apontados, em uma análise superficial, pareçam realmente estar intimamente relacionados com o problema, não deve escapar da análise que o estabelecimento de políticas públicas efetivas tem potencialidade para resolver o problema de forma mais radical, posto que é capaz de diretamente influenciar nos outros dois. A educação e a informação disseminadas têm o condão de tanto elucidar sobre o que seria uma alimentação saudável quanto de apresentar os benefícios da prática regular de atividade física.

    No dia 20 deste mês, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que autoriza a produção, venda e consumo de medicamentos que tenham em sua composição os fármacos anfepramona, mazindol, femproporex e sibutramina, todos eles substâncias usadas como auxiliares em processos de emagrecimento e proibidas há até pouco tempo (link ao final do post).

    Cabe a indagação sobre o acerto de tal medida, que mexe no efeito mas não nas causas da obesidade. Seria essa uma política pública válida?

    Link para artigos de interesse:
    http://g1.globo.com/politica/noticia/camara-aprova-projeto-que-libera-remedios-para-emagrecer.ghtml

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