Autores propõem renomeação de Doenças Não Transmissíveis para Condições Socialmente Transmitidas

As Doenças Não Transmissíveis (NCDs, na sigla em inglês) são responsáveis pela morte de 40 milhões de pessoas por ano, o equivalente a 70% do total de mortes no globo. Segundo definição da OMS, NCDs são aquelas que tendem a apresentar longa duração e resultam de uma combinação de fatores genéticos, fisiológicos, ambientais e comportamentais.

Neste artigo para o The Lancet (revista científica sobre medicina), Luke N. Allen e Andrea B. Feigl denunciam a generalidade do termo: a atual definição une, sob um mesmo selo, condições congênitas, degenerativas, problemas muscoesqueléticos, geniturinários, problemas de saúde mental, doenças cardiovasulares, câncer, doenças respiratórias crônicas e diabetes tipo 2.  Ademais, mesmo algumas doenças desse grupo são consideradas transmissíveis.

Os autores argumentam que essa (in)definição não aponta para um fator causal comum, desinformando políticos e público em geral acerca dos desafios impostos por essas doenças, os quais são exacerbados pela concepção de que DNTs são determinadas por fatores individuais (como comportamento e estilo de vida) em vez de sociais (como desigualdades socioeconômicas, injustiças sociais e interesses comerciais). Por exemplo: considerar o aumento do consumo de tabaco como fruto exclusivo de comportamento de risco e estilo de vida retira o foco de uma possível medida estrutural de desincentivo ao consumo, como a taxação do produto. Essa ideia desorienta políticas públicas, descomplexificando o tema e tornando as ações de combate às DNTs descoordenadas e ineficazes.

Allen e Feigl defendem que é necessário dar um novo selo a esse conjunto de doenças, enfatizando o fator que as une: os determinantes sociais e comerciais da saúde. Dessa forma, propõem a redesignação para “Condições Socialmente Determinadas” (STCs, na sigla em inglês). Segundo os autores, esse termo destaca a natureza antropogênica e social do contágio das doenças (influenciadas e aprofundadas pela urbanização, industrialização, pobreza, disponibilidade de tabaco e de álcool, por consumo de produtos industrializados, pelo sedentarismo, etc.), dando destaque a questões estruturais que as determinam. Defendem que o selo STC não retira a responsabilidade dos indivíduos por suas escolhas de estilo de vida e comportamentos que afetam saúde, ao mesmo tempo que enfatiza que mudanças no ambiente social influenciam as escolhas disponíveis.

Os autores esperam que a redesignação para “Condições Socialmente Determinadas” auxilie na construção de uma nova narrativa, coerente e internacionalmente significativa, que redirecione os esforços globais de combate às doenças sob esse selo para os determinantes estruturais dessas condições.

Link para o artigo (em inglês): http://www.thelancet.com/journals/langlo/article/PIIS2214-109X(17)30200-0/fulltext?rss=yes

 

Enviado por Andressa Lisauskas Araujo

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