A study about how endometriosis affects men’s sex lives? That’s enraging – por Imogen Dunlevie

endometriose

Há no mundo 176 milhões de mulheres sofrendo com a endometriose, uma doença ginecológica que ainda é pouco estudada e tem causa desconhecida, tratamento limitado e nenhuma cura. Segundo relato da própria autora da notícia e de diversas outras mulheres, essa doença causa dores tão fortes que impossibilitam atividades simples como andar e provocam limitações como adiamento dos estudos e dificuldade na procura de empregos. Mesmo com todo esse impacto na vida de tantas mulheres, pouco se investe e pouco se pesquisa endometriose.

De acordo com a notícia, a Universidade de Sydney acabou de aprovar uma pesquisa sobre como a endometriose afeta a vida sexual dos homens. Esse é um exemplo da determinação social da saúde de acordo com o gênero: a endometriose é uma doença que por fatores biológicos afeta apenas as mulheres, mas que por fatores sociais recebe pouca atenção e tem pouca possibilidade de cura ou de tratamentos mais efetivos. Os homens, cujos corpos foram por muito tempo o modelo de estudo na medicina, estão mais uma vez sendo privilegiados. O fato de milhões de mulheres terem diversos âmbitos da sua vida, inclusive o sexual, afetados pela endometriose deveria ser suficiente para suscitar pesquisa na área, mas ainda é necessário que uma doença afete a vida sexual dos homens para que ela mereça atenção.

Link para a notícia: https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/may/31/a-study-about-how-endometriosis-affects-mens-sex-lives-thats-enraging

 

Enviado por Amanda Vidotto Cerqueira.

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Um pensamento sobre “A study about how endometriosis affects men’s sex lives? That’s enraging – por Imogen Dunlevie

  1. Achei o assunto trazido pelo matéria de extrema importância e concordo 100% com a autora que é revoltante o investimento em pesquisas voltadas para entender como a endometriose afeta a vida sexual de homens, sendo que é uma doença a afeta profundamente diversos âmbitos da vida de 176 milhões de mulheres no mundo, e sobre a qual ainda há muitas incógnitas e poucos estudos sendo feitos. O caso da endometriose evidencia a importância de estarmos atentos para o impacto que desigualdades de gênero têm em questões de saúde global, como no negligenciamento de doenças que acometem (principalmente ou apenas) mulheres. O fato de serem necessárias evidências de que a endometriose pode afetar a vida dos homens (mesmo que apenas a vida sexual) para que a doença passe a receber a atenção é extremamente sintomático, e nos faz refletir sobre como doenças/questões de saúde pública tipicamente femininas seriam tratadas caso atingissem homens. Como a questão do aborto seria tratada caso os homens tivessem que se submeter a procedimentos abortivos perigosos em clínicas clandestinas pouco confiáveis sofrendo risco de morte? Será que nesse caso teríamos uma discussão séria no Brasil sobre como o aborto é uma questão de saúde pública e sobre como a legalização é o caminho para garantir a segurança das mais de 1 milhão de mulheres que se submetem a abortos clandestinos no país por ano?
    Questões de saúde são fortemente marcadas pelas desigualdades que perpassam nossa sociedade (desigualdades de gênero, raça, social, regional, etc.), e é imprescindível a identificação dos principais grupos afetados por determinada doença/agravo e o reconhecimento de seu grau de vulnerabilidade social para que estudos consistentes sejam realizados visando melhorar a qualidade de vida dessa população.

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