ONU pede fim da fístula, um dos ferimentos mais sérios do parto

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Nesta matéria publicada pela Organização das Nações Unidas (ONU), enfoca-se a fístula obstétrica, lesão grave na parede vaginal causada em virtude de complicações no momento do parto. Tal lesão torna a mulher incontinente, o que em geral leva à rejeição de mulheres nessa condição por parte de suas famílias e comunidades. Importante notar que nos ditos países do Norte, a fístula foi praticamente eliminada, sendo que atualmente afeta em especial mulheres de países mais pobres, com destaque para os países africanos onde o acesso a cuidados médicos é precário e, em alguns casos, inexistente. Esse quadro ilustra , como foi discutido em nossas aulas, que para além de fatores biológicos, a saúde é determinada por fatores sociais, como a pobreza, a disparidade entre países e questões de gênero. Para que a saúde seja garantida em maior dimensão, como propõe a campanha global para eliminação da fístula, é preciso salientar que aos fatores sociais deve-se dar tanta importância quanto aos fatores biológicos, que tradicionalmente recebem maior atenção no campo da garantia à saúde.

Link para a matéria: https://nacoesunidas.org/onu-pede-fim-da-fistula-um-dos-ferimentos-serios-parto/

 

Enviado por Maria Carolina Ferreira.

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2 pensamentos sobre “ONU pede fim da fístula, um dos ferimentos mais sérios do parto

  1. Muito relevante a notícia e a discussão apresentada no post! É importante ressaltar também que o isolamento a que são submetidas as mulheres que sofrem com a fístula obstétrica faz com que esse ciclo de pobreza em que se encontram se perpetue. Além disso, o isolamento também exacerba outros fatores de risco à saúde dessas mulheres, como a desnutrição.
    Atualmente, a organização Médico Sem Fronteiras (MSF) trata da fístula obstétrica em diversos países africanos onde possuem projetos. Desde então, muitas mulheres têm se submetido à cirurgia reparadora, proporcionando a elas uma melhor qualidade de vida, após anos de sofrimento (http://www.msf.org.br/noticias/todos-pelo-fim-da-fistula-obstetrica).
    Antes dessa iniciativa do MSF, a maioria dos cirurgiões locais se sentiam desestimulados a realizar a cirurgia reparadora, pois, como as mulheres pobres são as mais afetadas, o procedimento não é bem remunerado.

  2. Faço das palavras da Mariana as minhas: muitíssimo relevante a notícia e a discussão apresentada, Maria! Precisamos discutir sobre a fistula obstétrica e dar visibilidade a essas 2 milhões de mulheres que ainda sofrem com essa condição.

    Gostaria de fazer uma recomendação! Há um documentário chamado “A Walk to Beautiful” realizado por uma excelente documentarista chamada Mary Olive Smith. Ela aborda a história de cinco mulheres e meninas rurais etíopes que sofrem com a fístula obstétrica e que, sendo rejeitadas pelos seus familiares e pelas suas comunidades, são marginalizadas, condenadas ao ostracismo e à solidão. Nós acompanhamos a longa e árdua jornada dessas fortes mulheres e meninas ao Hospital da Fistula, em Addid Abeba, capital etíope, na esperança de receberem tratamento e, assim, superarem a miséria e a solidão na qual vivem, bem como o estigma e a vergonha associadas ao ferimento, de modo a terem condições de reconstruírem suas vidas. O documentário explicita a questão dos determinantes sociais da saúde discutidos no post, sobretudo relacionados à situação de extrema pobreza na qual sempre viveram essas mulheres e a profunda assimetria de gênero, que permeia as relações rurais etíopes. Além disso, explicita como a fístula causa não só um extremo trauma físico, mas também, obviamente, um enorme trauma psicológico e social.

    Mais informações do documentário: http://www.imdb.com/title/tt0892112/

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