“Why is the world suffering from a penicillin shortage” – Al Jazeera English

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A falta de um determinado tipo de penicilina (benzathine penicillin G) já foi registrada pela Organização Mundial da Saúde em ao menos 18 países nos últimos três anos. Neste grupo estão países como Brasil, Estados Unidos, Canadá, França, África do Sul. A escassez desse tipo de penicilina é reflexo de um problema ainda mais amplo com relação à esse remédio, considerado revolucionário na história da Medicina. A ausência do medicamento compromete o tratamento de doenças bacterianas como a sífilis e doenças cardíacas reumáticas. No Brasil, uma escassez de três anos do medicamento aconteceu em meio a re-emergência de muitos casos de sífilis, doença ligada à severa malformação em bebês para qual a penicilina é a única droga capaz de matar o agente bacteriano nos fetos.

A elevação no número dos casos e a falta da principal forma de tratamento levam à procura por medicamentos substitutos que podem ser mais caros e não tão eficientes, elevando o risco do aumento da resistência aos antibióticos. A reportagem da Al Jazeera analisa os motivos da escassez e destaca o fato de que apenas quatro empresas produzem o princípio ativo da penicilina, mas como essa oferece baixas margens de lucro as empresas mantém os níveis de produção baixos. A penicilina é usada no tratamento de doenças que afetam desproporcionalmente países mais pobres, assim a demanda existe, mas a oferta não a atende adequadamente. Outro fator que contribui para a escassez é a fragmentação da produção o que leva a dependência de matérias primas provenientes de outras companhias e países. Muitos produtores passaram a buscar na China esses materiais, país que antes era evitado por ausência de cumprimento de regulações internacionais, isso provoca um dilema para os órgãos regulatórios. Esses se veem obrigados a permitir brechas e levantar barreiras para diminuir a falta dos medicamentos, em uma posição que prefere não restringir a oferta de medicamentos, mesmo com deficiências na produção e falta de transparência por receio de que isso diminua ainda mais o acesso a remédios essenciais para salvar vidas.

Reportagem: http://www.aljazeera.com/indepth/features/2017/05/world-suffering-penicillin-shortage-170517075902840.html

Enviado por Sthela Batista

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Um pensamento sobre ““Why is the world suffering from a penicillin shortage” – Al Jazeera English

  1. Nessa semana saiu a reportagem “A Nova Cara da Sífilis” pela revista online SuperInteressante abordando essa mesma questão de como a (escassez da) produção da penicilina afetou duramente a epidemia atual, discutindo especificamente o caso brasileiro. O que eu achei particularmente intrigante na matéria foi a questão apresentada sobre os requisitos para a administração do remédio no sistema publico até 2015, em que “era proibida a aplicação do medicamento pela equipe de enfermagem de locais que não estivessem equipados para evitar um choque anafilático.”*. E mais: caso algum enfermeiro se arriscasse e administrasse a medicação sem os materiais de entubação devidos, este poderia ser responsabilizado pelo ato. Na realidade, isso fez com que vários postos de saúde deixassem de medicar portadores de sífilis e disseminou o medo de medicação da penicilina entre os profissionais de saúde, agravando ainda mais a situação à época.
    *Link para a notícia: http://super.abril.com.br/saude/a-nova-cara-da-sifilis/

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