“Mesa (In)farta – DESERTO ALIMENTAR: Comida saudável mesmo é comida de verdade. Mas quem tem acesso a ela?”

O TAB UOL discute, em reportagem publicada no último domingo, a questão do acesso à comida saudável a partir da ideia de Deserto Alimentar: lugares de difícil acesso a alimentos nutritivos, acarretando no menor consumo destes. Tal conceito é recente e reflete questões de saúde pública e desigualdade social, onde a clivagem pobreza vs. riqueza é vista também no acesso a alimentos de verdade.

Utilizando o trabalho da doutora em Ciências e pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da USP, Ana Clara Duran, a reportagem analisa o acesso a comida in natura em São Paulo. Existe, na cidade, uma distribuição desigual de feiras e supermercados com variedades de produtos in natura que aliada a uma eficiente rede de distribuição dos alimentos ultraprocessados resultam nesses desertos alimentares.

Num contexto em que a qualidade da alimentação é cada vez mais discutida e os níveis de obesidade, hipertensão e diabetes crescem, garantir o acesso à comida saudável é fundamental para efetivar o direito a uma alimentação adequada.

Link para a notícia: <https://tab.uol.com.br/deserto-comida/#imagem-6>

Enviado por Lucas Vaqueiro

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2 pensamentos sobre ““Mesa (In)farta – DESERTO ALIMENTAR: Comida saudável mesmo é comida de verdade. Mas quem tem acesso a ela?”

  1. Oi Lucas, adorei o seu post. Além das dificuldades para o acesso a uma alimentação saudável que foram citadas na notícia e na análise das influências da disponibilidade de mercados e restaurantes próximos ao consumidor em suas escolhas alimentares, há uma enorme dificuldade de acesso da população para um contato com profissionais da Nutrição. O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) conta com a participação de nutricionistas na composição da equipe, para garantir, além de outros aspectos, a promoção de uma alimentação saudável no âmbito da Atenção Primária de saúde. Porém, nem todas as equipes contam com uma quantidade razoável de nutricionistas para abranger a população da rede em que ela atua, sobrecarregando seu trabalho e não conseguindo atender a todas as necessidades de quem precisa. Ou seja, é uma realidade triste de que nem todos possam ter acesso à alimentos saudáveis e nem a uma reeducação alimentar.

  2. Muito interessante esse conceito de deserto alimentar, passei a refletir sobre o acesso à alimentação saudável pela cidade e de fato vejo correspondência na realidade. Nas áreas comuns do transporte público, por exemplo, é muito fácil encontrar lojinhas de guloseimas, com todo tipo de alimento ultraprocessado por baixo custo.
    O senso comum geralmente associa obesidade ou sobrepeso a comportamentos alimentares individuais e hábitos físicos, no entanto, esses problemas não se relacionam apenas com a quantidade de alimentos que ingerimos, mas também com o que colocamos na mesa. O hábito alimentar é também coletivo, cultural e se intersecciona com outros temas, tal como sustentabilidade, economia e conflitos sociais. O mercado mundial de alimentos é perverso com a agricultura familiar e introduz técnicas de produção em escala, tal como o uso de agrotóxicos e a monocultura (veja só o caso da soja no Brasil). Não é leviana a comparação entre o aumento da obesidade em alguns países e a persistência da fome em algumas regiões do globo, no entanto, não se trata apenas da distribuição de alimentos, mas da própria lógica da produção dos mesmos.
    Há uma tendência mundial de mudanças em hábitos alimentares atrelados a culturas locais em prol de uma dieta única baseada em alimentos ultraprocessados. O Japão tem sido bem sucedido na luta contra essa mudança (https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/06/14/Por-que-o-Jap%C3%A3o-tem-as-menores-taxas-de-obesidade-do-mundo). Esse ano, o Brasil (cujo índice de obesidade chegou a 20% em 2015) assumiu metas para frear o aumento da obesidade (http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/aisa/noticias-aisa/27807-em-evento-internacional-brasil-assume-metas-para-frear-o-crescimento-da-obesidade).
    Além disso, gostei do foco da matéria no planejamento escolar da alimentação, certamente quem já estudou em escolas públicas identifica como a merenda tem um papel importante na distribuição de alimentos. No ensino fundamental, eu convivi com alguns colegas que tinham a merenda como a principal refeição do dia (quiçá a única). Desse modo. os escândalos sobre corrupção na distribuição de merenda não são desprezíveis e a qualidade do alimento oferecido nas escolas interfere no direito dessas crianças à alimentação.

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