As crianças invisíveis da epidemia de Zika

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A associação entre a doença provocada pelo vírus Zika e transtornos neurológicos congênitos, como a microcefalia, chamou a atenção da mídia nacional e internacional, e levou o Ministério da Saúde a declarar, pela primeira vez, uma Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (em novembro de 2015), e, a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (em fevereiro de 2016). Conforme o número de casos de Zika relacionado com microcefalia e demais transtornos foi caindo, a epidemia foi perdendo destaque na mídia e na agenda pública brasileira. Entretanto, as crianças afetadas pelas síndromes congênitas do Zika estão por aí. Segundo dados do Ministério da Saúde coletados entre 8 de novembro de 2015 e 8 de abril de 2017, no país temos 2.653 casos confirmados de microcefalia e outros distúrbios neurológicos associados à doença do Zika vírus.

Onde estão essas crianças? Que tipo de cuidados estão recebendo? Quais as perspectivas de suas famílias? A reportagem que segue revela o desamparo vivenciado pelas crianças afetadas e seus familiares próximos. Desamparo por parte do poder público e a sua negligência em garantir que as crianças tenham acesso, por meio da rede pública de saúde, à estimulação precoce e demais cuidados que, segundo especialistas, seriam fundamentais para seu desenvolvimento. E desamparo por parte da sociedade como um todo, que esqueceu dessas crianças, dessas mulheres e dessas famílias. É fundamental que esses casos recebam a devida importância na agenda de saúde pública brasileira e que o país reconheça o direito das crianças e de suas famílias de receber toda a atenção e auxílio necessários.

Link para a notícia: https://oglobo.globo.com/brasil/as-criancas-invisiveis-da-epidemia-de-zika-21275420 

 

Enviado por Heloísa Castro.

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2 pensamentos sobre “As crianças invisíveis da epidemia de Zika

  1. Artigo muito interessante. A autora parece ter tomado bastante cuidado ao expor essas crianças para revelar o silêncio da sociedade, que parece ter esquecido delas tão logo a “ameaça” à realização dos Jogos Olímpicos passou. É interessante também ler essa matéria em conjunto com o documentário “Zika” da Dra. Débora Diniz, que foi proposto na literatura do curso, e que mostra os acompanhamentos pre-natais dessas mães.

  2. Ótimo artigo, e extremamente necessário.
    Como se não bastasse a zona de esquecimento em que caíram estas crianças, após o decreto do fim da situação de emergência para o zika, há ainda mais perigos já que cresce a possibilidade de que a situação das mulheres e crianças afetadas pelo zika vírus seja apagada e negligenciada. Tenho a impressão de que decretar o fim da situação de emergência traz uma falsa sensação de que tudo está voltando “ao normal”, de que não há mais muito que resolver, quando sabemos que esta decisão obedece a critérios técnicos e não políticos. Recentemente li dois artigos falando sobre o tema. O primeiro, publicado na Agência Patrícia Galvão, coloca em questão o racismo institucional refletido neste decreto, uma vez que mais de 90% das mulheres afetadas pelo vírus são mulheres negras, e aponta como a epidemia de zika como é resultado das desigualdades sociais. E o segundo, publicado na Folha de São Paulo, que aponta para o fato de que a redução do número de casos registrados se deve, na verdade, pela sazonalidade do vírus e não tanto por consequência da implantação de medidas preventivas no país. Ao final deste artigo, há uma declaração da Débora Diniz, do Instituto Anis, que reforça o perigo da falsa impressão de “normalidade” que traz o decreto, e inclusive argumenta que estamos vivendo uma “emergência humanitária” relegando essas mulheres e crianças ao esquecimento, desprotegidos de políticas sociais e de saúde.

    Artigo na Agência Patrícia Galvão:
    http://agenciapatriciagalvao.org.br/especial-zika-virus/o-racismo-institucional-decreta-fim-da-emergencia-zika/?utm_term=O+racismo+institucional+decreta+Ofim+da+emergenciaO+do+zika&utm_campaign=Contatos+Geral&utm_source=e-goi&utm_medium=email

    Artigo na Folha de São Paulo:
    http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/05/1883239-fim-de-situacao-de-emergencia-para-zika-preocupa-estudiosos-da-area.shtml

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