O traficante de órgãos que se aproveita do desespero de refugiados no Líbano

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Diversos são os horrores enfrentados pelos refugiados do Oriente Médio que abandonam seus países de origem para garantir sua sobrevivência. Neste artigo publicado pela BBC Brasil, descreve-se a exploração sofrida por refugiados em desespero que, sem meios para se sustentarem, vendem seus órgãos para o complexo mercado internacional de tráfico de órgãos. Com frieza, o traficante descreve a atividade que exerce em condições precárias e sem preocupação alguma com a saúde de seus “clientes”. No Oriente Médio, por conta de tradições culturais e religiosas, há escassez de órgãos para transplante, fato que potencializa o mercado ilegal.

Se na teoria e nos preâmbulos de documentos de órgãos internacionais, entre eles a OMS, os direitos à saúde, dignidade e autodeterminação são garantidos a todo e qualquer indivíduo, o que se observa na realidade destes  migrantes é bem diferente. Diversas vezes os refugiados são tratados como seres humanos de segunda categoria nos discursos de grupos nacionalistas e xenófobos, lembrando a situação das “baratas”  no episódio “ men against fire” da série Black Mirror, recomendado em nossa disciplina.

Link para a notícia completa: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39733315?ocid=socialflow_facebook

Enviado por Maria Carolina Ferreira

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2 pensamentos sobre “O traficante de órgãos que se aproveita do desespero de refugiados no Líbano

  1. Esse tema é extremamente importante de ser abordado, Maria. Dentre os pontos relacionados a essa questão, é essencial destacar o grande abismo entre demanda de transplantes e doação de órgãos que o sistema legal apresenta – em dados específicos, o Observatório Global de Doações e Transplantes (GODT), iniciativa da Organização Mundial da saúde (OMS), estima que os transplantes realizados em 2014 satisfaçam menos de 10% da demanda global por órgão. Esse descompasso constitui principal precedente na consolidação do crime organizado de tráfico de órgãos, que representa inclusive, segundo a OMS, 10% de todo tráfico internacional.
    E é relevante destacar o modus operandi do tráfico de órgãos: afeta populações em vulneráveis e com déficit de direitos humanos garantidos, como é o caso dos refugiados no Líbano que veem a venda de parte de seus corpos como solução emergencial para a pobreza enfrentada. Contudo, nem sempre a retirada de órgãos é ‘voluntária’, no sentido de que os doadores são convencidos pelo retorno financeiro. Um dos casos mais chocantes, em minha opinião, consiste nas coletas de órgãos de prisioneiros políticos e religiosos em prisões na China (o que era inclusive regulamentado pelo governo até 2015). O exemplo do Estado dando suporte ao crime organizado internacional, problema que se relaciona a diversas questões de saúde e direitos.

  2. Acho importante retomar esse tema, principalmente por ocasião do lançamento do relatório “Global Trends – 2016”, produzido pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). De acordo com o relatório, ao final de 2016, o número de refugiados em todo o mundo era de aproximadamente 22,5 milhões de pessoas, estatística que correspondia a 21,3 milhões de pessoas em 2015. Apesar da redução do ritmo de crescimento dessa parcela da população – em comparação com os últimos 5 anos-, o número de pessoas que buscam proteção internacional ainda cresce e, está no patamar mais alto já registrado.

    Ainda segundo o estudo, o Líbano, país mencionado na matéria, teria registrado queda no número de refugiados em seu território, abrigando hoje cerca de 1 milhão de refugiados, 100 mil a menos do que em 2015 (devido a acordos de reassentamento, partidas voluntárias, etc). Ainda assim, é o país que apresenta maior concentração de refugiados, em termos de proporção entre a população nacional e refugiada. Embora o relatório não aborde o assunto diretamente, as condições de pobreza e exploração descritas na matéria devem, infelizmente, permanecer. Isso leva a crer que o monitoramento de tal crime pode se muito subnotificado, colaborando para que m se fortalecer; tendo em vista que a situação de precariedade na vida das comunidades refugiadas se manteve, não só no Líbano, mais no mundo todo.

    (O relatório mencionado está disponível em: http://www.unhcr.org/global-trends-2016-media.html )

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