Novo contraceptivo masculino é seguro, eficaz e barato – e não tem uma empresa que o venda

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De acordo com relatório publicado pela ONU (2015), 64% das mulheres casadas ou dentro de uma união (entre 15 e 49 anos) fazem uso de métodos contraceptivos. Os métodos de maior prevalência são esterilização feminina, Dispositivo Intrauterino (DIU) e Pílula anticoncepcional, todos ligados a uma responsabilidade feminina no planejamento familiar. Apenas 21% dos métodos contraceptivos praticados envolvem participação direta masculina (camisinha, vasectomia e coito interrompido).

A situação expressa grande desigualdade de gênero na responsabilidade sobre o planejamento familiar, o que inevitavelmente impacta nos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. O surgimento de um método de baixo custo e direcionado aos homens poderia alterar significativamente o abismo entre homens e mulheres no quesito contracepção.  A notícia trata do desenvolvimento de um novo método contraceptivo masculino: um gel capaz de criar uma barreira física à passagem de espermatozoides pelos canais durante a ejaculação.

O produto injetável (e facilmente reversível) foi desenvolvido por uma startup na Índia e apresenta eficácia próxima à de preservativos, contudo, não tem despertado interesse de grandes laboratórios para comercialização em larga escala. Dentre as justificativas para não produção, destacam-se efeitos secundários no humor – o que levantou debate quanto à ampla aceitação de efeitos similares em pílulas anticoncepcionais femininas.

*Relatório da ONU: http://www.un.org/en/development/desa/population/publications/pdf/family/trendsContraceptiveUse2015Report.pdf

Link para acesso à notícia: http://publico.uol.com.br/ciencia/noticia/novo-contraceptivo-masculino-e-seguro-eficaz-e-barato–e-nao-encontra-uma-empresa-para-o-vender-1768725

Enviado por Jéssica Vaitanan

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2 pensamentos sobre “Novo contraceptivo masculino é seguro, eficaz e barato – e não tem uma empresa que o venda

  1. É realmente muito interessante pensar como as dimensões sociais/culturais levam as grandes indústrias farmacêuticas a investir ou não em certo tipo de pesquisa/medicamento e, mais ainda, que fazendo isso elas criam uma espécie de ciclo. Pois uma vez que não há financiamento para colocar em prática uma inovação, não se difundirão novas práticas ou novos costumes e consequentemente uma nova mentalidade. A ideia de que as mulheres são as maiores responsáveis pelo planejamento familiar tem um grande caráter sexista e impõe uma grande responsabilidade sobre as mulheres, que se traduz em custos financeiros e muitas vezes também custos emocionais. Isso fica evidente quando vemos que, historicamente, as pesquisas mais financiadas relacionadas à contracepção são aquelas que desenvolvem medicamentos que geram efeitos sobre o sistema reprodutor feminino. Mesmo que isso signifique colocar os efeitos colaterais diversos em segundo plano (dores de cabeça, maior risco de trombose, diminuição da libido, oscilações de humor e até mesmo maior risco de depressão), bem como a saúde das mulheres, que acabam por tomar esses riscos em falta de outras opções. Ainda que já tenham sido comprovados tais efeitos, tal fato não impediu ou desestimulou o investimento das indústrias nas pílulas anticoncepcionais femininas, que são produzidas em larga escala.*

    Idealmente, nem homens nem mulheres deveriam se sujeitar à tais riscos, mas é interessante pensar porque os mesmos efeitos colaterais são vistos como algo tão devastador para os homens, enquanto que para as mulheres eles são vistos apenas como um pequeno ônus, um risco a se tomar para impedir algo “pior”, como uma gravidez indesejada.

    *infomações retiradas do artigo do The Guardian “The pill is linked to depression and doctors can no longer ignore it”
    https://www.theguardian.com/commentisfree/2016/oct/03/pill-linked-depression-doctors-hormonal-contraceptives

  2. Complementando o comentário da Carol, acho importante ressaltar que, desde a década de 50, quando os primeiros testes da pílula anticoncepcional começaram a ser realizados, muitas mulheres abandonavam o estudo por não suportarem os efeitos colaterais, dentre eles, alterações de humor, como a depressão.
    Desde essa época até os dias atuais, muita coisa mudou. Houve uma grande queda na quantidade de hormônio usada nas pílulas orais e elas passaram a acompanhar um aviso sobre os potenciais efeitos colaterais.
    No entanto, muito antes dos avisos por escrito nas bulas, há mais de meio século, mulheres relatam a depressão como efeito colateral da pílula. Por que só agora essa questão está tomando a devida repercussão?
    Isso demonstra um grande desinteresse na saúde e bem-estar das mulheres. Além disso, evidencia o fato de que, ainda hoje, alterações de humor, como depressão e ansiedade, quando acontecem em mulheres, são vistas como menos dignas de importância, muitas vezes atribuídas à “natureza feminina”, do que quando acontecem em homens.

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