Após batalha judicial, médicos britânicos são autorizados a desligar aparelhos de bebê com doença incurável

decisao justiça britanica
Na última terça-feira, após batalha na justiça, a Corte Britânica proferiu decisão que autoriza a interrupção do tratamento de Charlie Gard,bebê portador de rara enfermidade, cuja vida tem sido mantida por aparelhos desde outubro do ano passado. A decisão foi baseada na alegação do hospital Great Ormond Street, no qual Charlie está internado, segundo a qual a patologia do bebê é incurável. Os pais de Charlie não concordam com a decisão e ainda podem apelar na justiça. Este caso britânico ilustra o debate acerca da distanásia (prolongamento, por meio de aparelhos, da vida de pacientes declarados terminais), sendo que o argumento do hospital consiste em afirmar que Charlie teria o direito de morrer com dignidade e o tratamento estaria apenas estendendo o processo de morte pelo qual o garoto está passando, ao invés de promover sua qualidade de vida e bem- estar. O caso ilustra ainda a ingerência do Estado na área da saúde por meio do Poder Judiciário, fenômeno destacado atualmente em diversos países, entre eles o Brasil, onde tal fenômeno é abordado nas discussões acerca da chamada “ judicialização da saúde”.

Link para a notícia: http://www.bbc.com/portuguese/geral-39573990?ocid=socialflow_facebook

 

Enviado por Maria Carolina Ferreira da Silva

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2 pensamentos sobre “Após batalha judicial, médicos britânicos são autorizados a desligar aparelhos de bebê com doença incurável

  1. Uma situação realmente trágica. No sentido mais literal, da escolha trágica do teatro grego clássico mesmo. Todavia a decisão de dar ao bebê uma morte digna parece ser a mais razoável – ainda que o artigo não trate mais pormenorizadamente do mérito da decisão judicial. Em casos que nos expõem às contingências da vida, numa dimensão trágica como a desse bebê e de seus pais, lembro da sentença um pouco fatalista de Riobaldo no clássico (que tambem tem um fundo trágico) do mestre Guimarães Rosa: “viver é muito perigoso”.

  2. Saiu essa semana uma matéria no The Economist que me lembrou esse caso. Apesar dela utilizar como exemplo pessoas idosas e tratar principalmente dos cuidados paliativos, a ideia geral do texto, que é principalmente a mudança que ocorreu no modo como lidamos com a morte no século XXI, está estreitamente relacionada ao caso do bebê Charlie. O texto enfatiza a importância dos cuidados e de se assegurar a dignidade e o conforto dos indivíduos também na hora de sua morte. Ele chama atenção para o fato de que o avanço da tecnologia na área da saúde acentuou a noção de que é necessário prolongar a vida a qualquer custo, já que dispomos dos meios necessários para tanto. Tal prática, no entanto, pode acabar submetendo pessoas à situações dolorosas, que em nada auxiliam na cura de sua doença. A matéria indica que há diversos casos de pacientes com doenças terminais que permanecem no hospital, sem condições de consentir com os tratamentos desgastantes a que são submetidos. O caso de Charlie, apesar de se tratar de um bebê, se assemelha bastante com as situações retratadas no artigo, já que sua doença não tem cura e o processo que o mantém vivo é desgastante. A distanásia, de certa forma, revela muito sobre como estamos lidando com a morte neste momento de tantos avanços tecnológicos na área saúde e sobre a necessidade de repensarmos que tipo de vida estamos querendo prolongar/assegurar para aqueles que nos cercam.

    Matéria mencionada, “A better way to care for the dying” no The Economist:
    http://www.economist.com/news/international/21721375-how-medical-profession-starting-move-beyond-fighting-death-easing-it-better

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