Brasil pode ser exportador de vacinas contra gripe em caso de pandemias, diz OMS

ONU Br –  A Organização Mundial da Saúde (OMS) está trabalhando para que instituições públicas sejam capazes de fornecer vacinas contra influenza (gripe) para o mundo em caso de possíveis pandemias. O Brasil, maior produtor global desses imunobiológicos na esfera pública, é um dos países que está se desenvolvendo para atender a demanda internacional, de acordo com a agência da ONU.

Idosos são vacinados em estação de metrô em Brasília, durante o dia D da Campanha Nacional de Vacinação contra Gripe de 2014. Foto: EBC/Marcelo Camargo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está trabalhando para que instituições públicas sejam capazes de fornecer vacinas contra influenza (gripe) para o mundo em caso de possíveis pandemias. O Brasil, maior produtor global desses imunobiológicos na esfera pública, é um dos países que está se desenvolvendo para atender a demanda internacional, de acordo com a agência da ONU.

Atualmente, o país produz 88% do consumo nacional desses produtos. A intenção é que este ano produza 100% e, posteriormente, passe a enviar as vacinas para outros países. Por isso, a representação da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil fez um estudo para diagnosticar a sustentabilidade da produção brasileira.

De acordo com a pesquisadora Kellen Santos Rezende, contratada pela OPAS/OMS para fazer o diagnóstico, foi identificado que a vacina é segura, eficaz e produzida com qualidade. Observou-se também que há interesse político em manter o financiamento da produção nacional e que o sistema de vigilância é bem estruturado, com capacidade para dar respostas rápidas.

“O levantamento concluiu que o Brasil domina a tecnologia de produção — ou seja, consegue fazer o processo do início ao fim, sem a necessidade de envolver outros países, por conta da transferência de tecnologia entre o brasileiro Instituto Butantan e o francês Sanofir-Pasteur, finalizada em 2014”, explica a pesquisadora.

De acordo com o estudo da OPAS/OMS, para o país ser um dos fornecedores mundiais, é necessário ampliar a própria capacidade produtiva; realizar pesquisas para aumentar o rendimento da vacina; capacitar profissionais para a produção de imunobiológicos; modernizar equipamentos e ampliar a capacidade de análise laboratorial.

O trabalho foi coordenado pelo consultor nacional de desenvolvimento e inovação tecnológica em saúde da OPAS/OMS Brasil, Felipe Carvalho.

Plano de Ação Global

Participaram do levantamento instituições envolvidas no processo de produção, regulação, compra e distribuição de vacinas. Foram realizadas entrevistas para coletar dados relacionados ao papel de cada uma na cadeia produtiva. Depois, foi feita uma oficina organizada pela representação da OPAS/OMS no Brasil para apresentar as informações coletadas e receber contribuições dessas entidades.

O evento permitiu que cada instituição conhecesse melhor o trabalho e as necessidades das outras. A partir disso, foi possível elencar soluções para fortalecer a sustentabilidade da produção nacional.

Esse diagnóstico foi feito como parte do Plano de Ação Global para Produção de Vacina Contra Influenza (Global Action Plan for Influenza Vaccine) da OMS, criado em 2006 para conhecer e ampliar a capacidade produtiva de fornecedores mundiais. O levantamento servirá de subsídio para que a OMS publique diretrizes globais sobre a sustentabilidade da produção pública de vacinas contra a doença.

Produção de vacinas

A produção da vacina contra influenza começa a partir do mês de setembro, quando a OMS dá autorização para que os laboratórios a fabriquem. Isso acontece porque todos os anos é necessário avaliar quais as cepas (tipos) do vírus que mais circularam no Hemisfério Sul, no ano anterior. Após essa autorização, os laboratórios levam em torno de seis meses para produzir a vacina que será disponibilizada à população.

A influenza é uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório. É de elevada transmissibilidade e distribuição global, com tendência a se disseminar facilmente em epidemias sazonais e também podendo causar pandemias. A transmissão ocorre por meio de secreções das vias respiratórias da pessoa contaminada ao falar, tossir, espirrar ou pelas mãos, que após contato com superfícies recém‐contaminadas por secreções respiratórias pode levar o agente infeccioso direto à boca, aos olhos e ao nariz.

A vacinação é a medida mais eficaz para a prevenção da influenza grave e de suas complicações. Entre outras importantes medidas preventivas estão lavar as mãos, evitar locais fechados e muito cheios, e buscar orientação médica em caso de início súbito de febre alta, tosse (geralmente seca), dores musculares, nas articulações, cabeça e garganta, desconforto grave e corrimento nasal.

A OMS recomenda a imunização anual (em ordem de prioridade) em: gestantes em qualquer fase da gravidez; crianças de 6 meses a 5 anos; idosos (≥ 65 anos); pessoas com doenças crônicas; e trabalhadores da área de saúde.

Os vírus da influenza mudam constantemente. Por isso, a Rede Global de Vigilância da Influenza, uma aliança de Centros Nacionais de Influenza de todo o mundo, monitora os vírus influenza que circulam em humanos.

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