OMS lança parceria para eliminar doenças tropicais

A eliminação das doenças tropicais negligenciadas no continente africano, onde afetam centenas de milhares de pessoas, é o objetivo de uma nova parceria anunciada pela Organização Mundial de Saúde, que conta com 7,4 milhões de euros de financiamento.

Notícias ao minuto – O Projeto Especial Alargado para a Eliminação das Doenças Tropicais Negligenciadas (ESPEN, na sigla em inglês) foi anunciado pelo escritório da Organização Mundial de Saúde para a região africana na segunda-feira, numa cerimónia à margem da Assembleia Mundial de Saúde, que decorre em Genebra. O projeto visa ajudar os países do continente a combater as doenças tropicais negligenciadas (DTN), que afetam mil milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria das quais na região africana.

“O ESPEN garantirá que os programas nacionais de combate às DTN tenham a informação, o conhecimento e os recursos financeiros necessários para acelerar o combate a essas doenças”, disse o diretor da OMS para África, Matshidiso Moeti.

Segundo a OMS, as DTN constituem um obstáculo pesado e constante, principalmente para as comunidades mais pobres, marginalizadas e isoladas do mundo.

A África Subsaariana concentra 40% da incidência global de DTN e, embora possam ser evitadas e tratadas, estas doenças continuam a desfigurar e a incapacitar, destruindo vidas, impedindo as crianças de frequentarem a escola e mantendo as comunidades na pobreza, lamenta a OMS.

O ESPEN irá vigorar até 2020 e deverá prestar apoio técnico e de angariação de fundos aos países endémicos, na perspetiva de que estas doenças são facilmente controláveis, através da administração preventiva de medicamentos nas comunidades afetadas.

Um estudo da Universidade Erasmus, de Roterdão, estima que cumprir os objetivos definidos para 2020 no controlo das DTN permitiria poupar 52 mil milhões de dólares e evitar o equivalente a 100 milhões de anos potenciais de vida perdidos devido à doença, deficiência ou morte prematura na África Subsaariana.

Só em Angola, onde se estima que 12 milhões de pessoas estejam afetadas por pelo menos uma das doenças tropicais negligenciadas, cumprir as metas da OMS até 2020 permitiria poupar 2,8 mil milhões de dólares e 1,9 milhões de anos de vida até 2030.

Em Moçambique, o número de pessoas afetadas sobe para 18,2 milhões e o estudo estima que o cumprimento das metas permitiria evitar prejuízos económicos de 900 milhões de dólares e 3,6 milhões de anos de vida perdidos.

Embora não tenha dados para Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, o estudo estima em 1,7 milhões o número de guineenses afetados e prevê poupanças de 89 milhões de dólares e 162 mil anos de vida se as metas fossem cumpridas na Guiné-Bissau.

Em comunicado, a OMS adianta que o projeto conta já com investimentos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), assim como do Kuwait Fund, do Departamento de Desenvolvimento Internacional (DFID) do Reino Unido, da Fundação Bill & Melinda Gates, do END Fund, do Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África, e outras instituições.

Juntas, estas instituições contribuíram com um valor total de 7,4 milhões de euros em financiamento, mas a OMS alerta que serão necessários maiores compromissos financeiros e políticos por parte dos governos africanos para garantir que essas cinco doenças sejam controladas e eliminadas.

 

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