Em reunião na OMS, cientistas pedem intensificação de pesquisas sobre zika e microcefalia


O diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz, Paulo Buss (ao centro), participou da coletiva de imprensa ao final do evento. Foto: OPAS/OMS

 ONU Br – Encontro de dois dias, que serviu para ampliar intercâmbio de informações, reuniu dezenas de especialistas das Américas, incluindo brasileiros. “Temos progredido, mas ainda há muito que se aprender sobre o vírus zika”, afirmou Marcos Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Análise de Saúde da OPAS/OMS

Os esforços de pesquisa devem ser multiplicados para explorar os fatores desconhecidos sobre microcefalia e outras malformações congênitas que possam estar vinculadas à infecção pelo vírus zika, concluíram pesquisadores internacionais após dois dias de reunião na Organização Pan-Americana da Saúde, escritório regional para as Américas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A conclusão é que ainda há muito que se aprender sobre zika. Temos progredido, mas ainda temos que aprender muito mais sobre este vírus”,afirmou Marcos Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Análise de Saúde da OPAS/OMS. O encontro aconteceu nesta terça (1) e quarta-feira (2), em Washington.

“A detecção laboratorial, a epidemiologia, a dinâmica das enfermidades por arbovírus e a cartografia das novas ferramentas de controle de vetores são alguns de nossos temas de estudo prioritários hoje em dia”, acrescentou.

Espinal destacou que os parceiros na pesquisa que participaram da reunião, incluindo os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, o Instituto Pasteur e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Brasil, estão trabalhando com a OPAS/OMS para fazer frente às lacunas de conhecimento e de evidência sobre zika e seus efeitos na saúde.

O diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz, Paulo Buss, lembrou que o Brasil está no “coração” da epidemia. “Nosso sistema de vigilância permitiu estabelecer rapidamente esta epidemia, comunicá-la à OPAS e vinculá-la à microcefalia”, destacou. Ele falou também sobre a importância da solidariedade internacional e ressaltou que as universidades e organismos de financiamento deveriam se unir para coordenar e proporcionar recursos para estudos sobre o zika.

Amadou Sall, do Instituto Pasteur de Dacar, avaliou que “compartilhar as experiências e a informação é fundamental para o desenvolvimento de novas ferramentas”. O especialista disse ainda que um grupo de trabalho foi criado para fazer acompanhamento do zika e seus possíveis vínculos com a Síndrome de Guillain-Barré, mas apontou que há muitos desafios em serologia, testes, reações cruzadas e áreas relacionadas.

“Isto é único. Não vimos nada como isto antes”, afirmou o diretor da Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores do CDC, Lyle Petersen. De acordo com ele, o zika é o primeiro vírus transmitido por vetores que parece causar infecção nos fetos, a primeira propagação convincente por transmissão sexual e, agora, é uma epidemia amplamente difundida.

“Temos que avançar muito rapidamente. Temos milhares de infecções todos os dias nas Américas e precisamos estar preparados”, acrescentou. Petersen disse também que os programas de controle de mosquitos estão deteriorados e devem ser melhorados e que as medidas para controle vetorial nas comunidades devem ser dirigidas às mulheres grávidas para ajudar a evitar a picada de mosquitos.

A transmissão autóctone (local) do vírus zika foi reportada em 31 países e territórios das Américas, apontou Sylvain Aldighieri, chefe da Unidade de Alerta e Resposta Epidemiológica que está atuando como gerente de incidente para resposta ao zika.

Até o momento, o crescimento de casos de microcefalia e outras malformações neonatais só foi registrado no Brasil e na Polinésia Francesa, embora dois casos de pessoas que estiveram no país sul-americano tenham sido detectados nos Estados Unidos (Havaí) e na Eslovênia.

Oito países e territórios – incluindo a Polinésia Francesa – reportaram um aumento na incidência de Síndrome de Guilain-Barré (SGB) e/ou confirmação laboratorial de uma infecção pelo vírus da zika entre os casos de SGB. Segundo Aldighieri, a reunião de especialistas foi muito valiosa porque ajudou a construir colaborações e o trabalho em rede entre instituições para avançar na investigação sobre o vírus.

“A ferramenta mais importante para combater o zika – e, ao mesmo tempo, dengue e chikungunya – é o controle dos mosquitos Aedes aegypti, responsáveis pela transmissão destas doenças. Como esses mosquitos vivem nas casas, isso exigirá um esforço combinado com uma maior participação da comunidade para reduzir o número de mosquitos nas Américas”, disse Espinal.

“Também estamos buscando urgentemente formas de melhorar os métodos de controle que incluem os inseticidas e outras tecnologias”, acrescentou.

A gravação da coletiva de imprensa ocorrida ao final do evento está disponível em espanhol e inglês.

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