Copa no Brasil ajudou espalhar o zika vírus, diz especialista francês

Sede da Organização Mundial de Saúde em Genebra, Suíça, em 25 de janeiro, de 2016

Sede da Organização Mundial de Saúde em Genebra, Suíça, em 25 de janeiro, de 2016

RFI/REUTERS/Denis Balibouse – O jornal Le Parisien aproveita a reunião de emergência da Organização Mundial da Saúde nesta segunda-feira (1) para esclarecer os riscos de transmissão do zika e fazer um balanço da epidemia. Especialistas em doenças infecciosas ouvidos pelo jornal sugerem que Copa do Mundo de futebol contribuiu para espalharo vírus.

A OMS está preocupada com a epidemia que atinge toda a América do Sul, as Antilhas e que pode chegar à França na primavera, diz o jornal que traz em sua manchete uma pergunta: é mesmo preciso ter medo do zika vírus?

Os especialistas da OMS deverão dizer hoje se a epidemia é uma emergência de saúde pública mundial, mas tudo leva a crer que sim, garante o Le Parisien.

Cinco adultos que voltaram à França depois de uma viagem pela América do Sul foram infectados, mas ninguém precisou ser hospitalizado. No entanto, as autoridades de saúde pública na França estão atentas à propagação do mosquito transmissor.

Copa do Mundo ajudou a espalhar vírus

O especialista em doenças infecciosas Jean-François-Delfraissy, entrevistado pelo jornal, afirma que que o zika vírus havia se expandido pouco antes da Copa no Brasil e o evento contribuiu para a multiplicação dos casos.

“O vírus não tinha circulado muito pelo mundo até aparecer com muita força recentemente no Brasil, após a Copa do Mundo de futebol de 2014, provavelmente devido à movimentação da população… e dos mosquitos”, garante. “Apenas recentemente sua periculosidade foi comprovada”, acrescentou.

Delfraissy lembra que há vários indícios que associam o vírus à microcefalia. Um estudo realizado na Polinésia Francesa com 32 mil infectados no final de 2014, especialmente no Taiti, revelou que malformações foram identificadas nos fetos. Foram registradas duas mortes, 10 abortos e 6 bebês nasceram com microcefalia.

No entanto, o que intriga o especialista do Instituto nacional francês de pesquisas médicas é o fato de que muitas mulheres grávidas atingidas pelo vírus não desenvolvem esse tipo de infecção gravíssima. “É preciso entender o porquê”, questiona Delfraissy .

Exemplos brasileiros

Le Parisien cita os inúmeros casos no Brasil e traz o exemplo da pernambucana Gleyse Kelly Cavalcanti de 27 anos. Ela contraiu o vírus zika durante a gestação e sua filha sofre de microcefalia. Ela contou ao jornal que no quinto mês de gravidez o médico a chamou por ter percebido que o perímetro craniano do bebê não se desenvolvia. “Algumas manchas avermelhadas apareceram na minha pele, mas não me preocupei”, disse.

A pediatra do hospital Oswaldo Cruz de Recife, Maria Ângela Rocha disse que no início da epidemia atendia de um a dois casos por dias. “Agora, são dez”, estima.

O nordeste brasileiro é particularmente atingido por essa doença, informa Le Parisien. O Ministério da Saúde mobiliza 40 mil agentes dos serviços de eletricidade para atuar no combate à propagação do vírus no País.

O diário francês também reproduz a declaração do médico chefe do Comitê Olímpico Rio 2016 de que o vírus zika “não ameaça a realização dos Jogos”.

 

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