SP lidera 3 de 4 rankings de epidemia da dengue

O Estado de S.Paulo – FABIANA CAMBRICOLI E FELIPE RESK

SP só não está no topo entre cidades com menos de 100 mil pessoas; Ministro confirmou ontem epidemia no País, como antecipado pelo ‘Estado’

Das 20 cidades brasileiras com as maiores taxas de incidência de dengue por faixa populacional, 12 estão no Estado de São Paulo, segundo dados divulgados nesta segunda­feira, 4, pelo Ministério da Saúde. Na publicação do ranking, o governo federal divide os municípios em quatro categorias, de acordo com o número de habitantes. Cidades paulistas lideram três desses quatro grupos. O ranking mostra que a capital já vive epidemia.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), há epidemia quando a taxa de incidência ultrapassa 300 casos por 100 mil habitantes.

Com 9.637,1 casos por 100 mil habitantes, Catanduva lidera o ranking de dengue entre as cidades com população entre 100 mil e 499 mil pessoas. No grupo seguinte, de municípios com 500 mil a 999 mil moradores, aparece Sorocaba, que tem incidência da doença de 3.315,7. Na categoria de cidades com população superior a 1 milhão, Campinas está em primeiro lugar, com taxa de 2.669,3.

Entre as cidades pequenas, com até 100 mil habitantes, no topo está a cidade paranaense São João do Caiuá. Em terceiro lugar no grupo aparece Paraguaçu Paulista, município com a maior taxa de incidência do Estado de São Paulo (14.815).

Com 345,7 casos por 100 mil habitantes, a capital paulista aparece em quinto lugar na categoria de cidades com população superior a 1 milhão de moradores. Os números mais recentes divulgados pela Prefeitura de São Paulo não apontavam a ocorrência de epidemia porque a administração municipal considera apenas os casos confirmados. O Ministério da Saúde divulga todos os casos notificados (confirmados e ainda em investigação). Pelo critério do governo federal, a capital já tem 41.120 registros neste ano.

Epidemia. Ele evitou responsabilizar individualmente alguma esfera de governo ou atribuir aos cidadãos a culpa pelo aumento no número de casos da doença.

Para Chioro, o aumento dos casos neste ano está associado a condições climáticas, além do agravamento da crise hídrica e do “relaxamento” da prevenção em alguns municípios após a diminuição de casos da doença em 2014.

“De certa forma, em algumas localidades, os resultados do ano passado fizeram com que se desarmasse a mobilização da sociedade em algumas ações”, afirmou Chioro. “Precisamos aprender cada vez mais como mobilizar a sociedade. No caso da dengue, enquanto não houver vacina, não podemos desarmar nossas ações de prevenção, mesmo após um ano de resultados excepcionalmente bons.”

Em 34 minutos de entrevista coletiva, o ministro foi questionado por três vezes se o País enfrentava uma epidemia. Na primeira, negou. No entanto, confrontado pelos dados, voltou atrás. “Nós temos 745.957 casos até o dia 18 de abril e sabemos que esse número aumentará. O Brasil vive uma situação de epidemia”, afirmou.

A situação ainda tende a se agravar porque o pico da doença ocorre a partir da segunda quinzena de abril, além das primeiras semanas de maio ­ números que ainda não foram contabilizados.

Apesar da situação, o ministro deixou claro que não deve adotar medidas emergenciais para conter a doença. “Isso não muda absolutamente nada o plano de contingência e a estratégia de controle”, disse.

De acordo com Chioro, sete Estados brasileiros, que “claramente estão em critérios de situação epidêmica”, puxam o índice para cima. São eles: Acre (1.064,8 casos por 100 mil habitantes); Goiás (968,9); Mato Grosso do Sul (462,8); Tocantins (439,9); Rio Grande do Norte (363,6); Paraná (362,8); além de São Paulo ­ terceiro lugar no ranking nacional, com 911,9 casos por 100 mil habitantes.

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