ENSP participa de documento sobre enfrentamento à Doença do Vírus Ebola

ebola_ceensp_imagem_capa_curso(1)ENSP – O grande temor da população em relação à Doença do Vírus Ebola se acalmou, pois, no Brasil, não há risco premente de uma epidemia. Porém pesquisadores e profissionais de saúde continuam buscando soluções relacionadas às questões de vigilância epidemiológica desta doença. Para tanto, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) promoveu um seminário sobre o enfrentamento à doença causada por esse vírus. A pesquisadora da ENSP e coordenadora do Núcleo de Biossegurança da Escola, Telma Abdalla de Oliveira Cardoso, esteve presente no encontro realizado em Moçambique, na África, como uma das representantes brasileiras. Entre os principais pontos discutidos estavam a necessidade de reforçar a capacidade nacional de recursos humanos do setor saúde e de vigilância epidemiológica relacionadas à doenças infecto-parasitárias, e o fortalecimento dos sistemas de comunicação e informação efetivas para a orientação dos cidadãos.
Este encontro gerou um documento final, elaborado com o objetivo de fortalecer a cooperação horizontal, permanente, solidária e estruturante na consolidação de ações que permitam o desenvolvimento de capacidades nacionais para o fortalecimento das estruturas e sistemas de saúde. O relatório propõe diversas ações e reitera o compromisso dos países em fortalecer suas capacidades básicas para a implantação do Regulamento Sanitário Internacional – documento que estabelece procedimentos para a proteção contra a disseminação internacional de doenças -, aprovado pela Organização Mundial da Saúde, em 2005.
As discussões do Seminário foram desenvolvidas em três grandes grupos. Segundo Telma, todos eles apontaram a necessidade de reforçar as capacidades nacionais através da implementação de um plano estratégico de capacitação de recursos humanos na área de biossegurança para o enfrentamento de surtos de doenças emergentes, utilizando a epidemia atual do vírus Ebola como exemplo norteador. Além disso, também foi destacada a primordialidade de reforçar as capacidades nacionais para atender às demandas de infraestrutura e de insumos específicos, como medicamentos, equipamentos de proteção (EPI/EPC), necessidade de manutenção de equipamentos, instalação de laboratórios de saúde pública nos países que não os têm, suporte no atendimento assistencial com montagem de hospitais de campanha, entre outros.
Outro ponto muito debatido e proposto como estratégico e essencial no atendimento às populações atingidas, explicitou a pesquisadora da ENSP, foi o fortalecimento dos sistemas de comunicação e informação com a troca de práticas e experiências para o desenvolvimento da comunicação efetiva e a orientação à população com cuidados na saúde, baseado na comunicação de risco.
Os grupos de trabalho foram organizados e cada um ficou responsável pela discussão de uma linha. O primeiro abordou questões de vigilância epidemiológica, fatores de fatores de risco, estudos de contatos, análises de tendências e prognósticos. Ele foi coordenado pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) de Portugal. O segundo grupo ficou responsável pela discussão do protocolo clínico para o atendimento hospitalar de pacientes suspeitos e confirmados, internação, questões relacionadas à área, contenção dos pacientes e segurança dos profissionais. Este grupo teve a participação de médicos infectologistas e foi coordenado pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz (INI).
O terceiro e último grande grupo de discussão teve foco no protocolo diagnóstico, algoritmo diagnóstico; sistema de referência e contra referência, diagnósticos diferenciais e os critérios de contenção laboratorial com os níveis de Biossegurança adequados à proteção dos trabalhadores e do meio ambiente. O grupo foi coordenado pela ENSP/Fiocruz em parceria com o Instituto Nacional de Saúde de Portugal.
O seminário promovido pela CPLP foi realizado nos dias 28, 29 e 30 de janeiro de 2015 e contou com representantes dos Ministérios da Saúde e das Instituições que compõem a Rede de Institutos de Saúde Pública (Rinsp),  de Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Brasil, Portugal, Organização Mundial da Saúde e do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos. O encontro foi aberto pela Ministra da Saúde de Moçambique, Nazira Abdula, que ressaltou a importância do encontro para a elaboração e implementação de planos nacionais de prevenção, preparação e respostas às doenças emergentes, com foco principal para o Ebola, uma vez que este evento e documento por ele gerado é um instrumento fundamental para o sucesso das ações de controle da Doença do Vírus Ebola.
Além de Telma, outros pesquisadores também representaram o nosso país e a Fiocruz. Entre eles estavam a vice-diretora de Qualidade e Informação do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), Marília Santini; a médica infectologista do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do INI, Diana Galvão Ventura; e o diretor do Fórum Itaboraí; Secretário executivo da RINSP/CPLP, e representante do Centro de Relações Internacionais da Fiocruz (Cris), Felix Rosemberg.
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