Melhor justiça em saúde resulta em maior expectativa de vida

J_Garay_capa_esq_2015ENSP – Pense em países que possuem modelos ecológicos eficazes, promovendo ambientes saudáveis e eficientes e fazendo com que a expectativa de vida da população seja acima da média global. Certamente você imaginou Alemanha, Canadá, Japão, por exemplo, correto? Errado. Os três primeiros colocados nestes quesitos são Costa Rica, Cuba e Albânia, respectivamente. Estes e outros dados foram apresentados pelo médico e especialista em saúde global Juan Garay, durante conferência ministrada na Fiocruz Petrópolis e que teve como debatedor convidado o diretor da ENSP, Hermano Castro.

Por mais de uma hora, Juan Garay dissertou sobre o tema O custo vital de acumular e esgotar os bens naturais, destacando diversos problemas de injustiças ambientais existentes no planeta e afirmando que as iniquidades em saúde – ou seja, as desigualdades que além de sistemáticas e relevantes são também evitáveis, injustas e desnecessárias -, afetam mais as mulheres que os homens.

Um dos pontos ressaltado pelo médico é que a definição de Saúde que as nações têm hoje é a aprovada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1948 e que busca uma melhor qualidade de saúde possível para todos os povos do mundo. Para Garay, este conceito não corresponde mais aos desafios do século XXI, pois não contempla um estado de bem estar para a população e não se preocupa para que as próximas gerações vivam em um ambiente sustentável e de equidade para todos, por exemplo.

Sobre as desigualdades existentes no mundo atualmente, Garay é taxativo ao informar que ocorrem, por ano, 20 milhões de mortes evitáveis por conta disto. Segundo o especialista, a má partilha de recursos, principalmente em países com renda per capta abaixo dos U$ 3.500, é um dos principais fatores para que isto ocorra.

Vagner do Nascimento, coordenador do Fórum das Comunidades Tradicionais de Angra dos Reis, Parati e Ubatuba, e Hermano Castro, diretor da ENSP/Fiocruz, foram os convidados para o debate. Vaguinho, como é conhecido, apresentou o vídeo da campanha Preservar é resistir, lançada em 2014 e que pretende assegurar o acesso ao território, avançar na regularização de terras, dar visibilidade ao modo de ser e viver e implementar políticas públicas diferenciadas para estas populações. De acordo com Vaguinho, o diálogo das comunidades com poder público tem sido difícil, uma vez que elas têm seus direitos quase sempre violados por um estado autoritário e a campanha busca sensibilizar a sociedade para esta questão.

Já Hermano Castro destacou que, apesar do filme retratar o real sofrimento do trabalhador do campo, mostra ele sorrindo, pescando, retirando fruta da árvore, porque esta é a sua vida, sua cultura e o que eles lutam para preservar. “O problema é que nós invadimos estes territórios, agredimos isso e a infelicidade chega a estes locais de forma muito abrupta”, ressaltou. O diretor apresentou ainda alguns dados relacionando o ambiente e a saúde do trabalhador, para que haja um melhor entendimento como a agressão do mundo do capital ocorre no território. “O maior exemplo neste caso é o agronegócio, que invade os territórios de forma desleal e com o consentimento do Estado”, disse.

O diretor citou como exemplo o estado de Tocantins, que concedeu uma licença para que uma empresa plantasse cerca de 180 mil hectares de eucalipto em uma determinada cidade. “Isso foi feito sem nenhum estudo de impacto ambiental. É o agronegócio invadindo florestas e regiões de povos tradicionais, gerando assim conflitos e injustiças sociais”, destacou.

A conferência O custo vital de acumular e esgotar os bens naturais ocorreu no dia 23 de janeiro, no Palácio Itaboraí, sede da Fiocruz em Petrópolis (RJ).

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