Brasil não está preparado para emergências em eventos esportivos

ENSP – Descansar, avaliar erros, refazer planos. Tal qual um intervalo de jogo, o ano de 2015 será estratégico para os que atuam nos grandes eventos internacionais que o Brasil se propôs sediar: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. É hora de se debruçar sobre os dados surgidos a partir da experiência do mundial, disputado em 12 cidades entre junho e julho do ano que passou, e se preparar para as Olimpíadas. No setor da saúde e mais especificamente no da assistência farmacêutica, alguns estudos foram apresentados em dezembro de 2014, na Escola, durante a oficina Elaboração de planos de preparação para desastres no setor saúde, promovida pelo projeto Prepara Brasil. A partir dos dados expostos pelas pesquisadoras da ENSP Cláudia Osório e Elaine Miranda, e pela aluna de mestrado da instituição Carolina Figueiredo Freitas, chega-se a conclusão de que o Brasil não estava devidamente preparado para uma emergência de maior porte durante a Copa do Mundo.

Como mostrou Elaine Miranda, em sua fala, as pesquisas apresentadas são fruto de um trabalho de campo feito antes do mundial, que envolveu 35 hospitais nas 12 sedes da Copa. Onze desses hospitais eram de referência e os outros 24 hospitais gerais públicos e privados. Segundo Elaine, o “não vai acontecer na minha cidade” foi a tônica da maior parte das entrevistas. Apenas 54% dos hospitais possuíam um plano para aumento de sua capacidade. 12% deles informaram que transportariam os pacientes para outros hospitais e 6% citaram hospitais de campanha como uma possível solução emergencial. Apesar dos 54% que disseram ter plano de emergência, só 14%, ou seja, cinco hospitais, mostraram uma cópia desse plano. A porcentagem de hospitais com capacidade de isolamento de pacientes também se mostrou baixa: 27%.

A pesquisadora Cláudia Osório explicou o método que vem sendo utilizado para calcular a relação entre as ameaças que um evento de grande porte apresentam e a capacidade de leitos e de tratamento para atender uma suposta emergência. Por ser um país do grupo dos Brics, tal qual o Brasil, a África do Sul foi escolhida como parâmetro. Depois de muitos cálculos, o que se conclui é que em apenas duas cidades sedes sobrariam leitos. Em todas as demais haveria déficit.

Desafios éticos e culturais foram ignorados

Outro aspecto dos estudos elaborados pelo Prepara Brasil foi as dificuldades que se apresentam num evento internacional devido à convivência de culturas e religiões diferentes. Ao abordar o assunto com os gestores hospitalares, as pesquisadoras do projeto relataram que mais da metade deles citou apenas o treinamento de pessoal em língua estrangeira como parte dos preparativos. No entanto, como lembrou Cláudia Osório, há outras nuances que não podem ser ignoradas, como as diferentes maneiras de manipular cadáveres, pelos grupos religiosos, no caso de um acidente fatal, as restrições alimentares, entre outros

Geoprocessamento na ordem do dia

Entre as propostas que apontam para os Jogos Olímpicos de 2016, o destaque foi o trabalho elaborado pela mestranda Carolina Figueiredo Freitas, que sob orientação de Elaine Miranda e Cláudia Osório desenvolve sua pesquisa com a ajuda de um software de geoprocessamento. A ideia é mapear os hospitais no entorno da área dos eventos, por meio do banco de dados do Prepara Brasil, elaborar rotas para uma emergência e tornar visível, a partir dessa ferramenta tecnológica, locais onde podem ser feitas melhorias para atuação do setor de saúde durante as olimpíadas.

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