Cooperação em Saúde entre Brasil, Índia e África do Sul é inexpressiva

NETHIS – Análise de uma década do Fórum de Diálogo IBAS – Índia, Brasil e África do Sul – revela resultados modestos e desiguais na cooperação em saúde

A escassez de recursos financeiros e humanos, a frequente mudança no cenário político e a pouca coordenação entre as instituições que atuam na cooperação em saúde do Fórum IBAS – Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul – são algumas das razões apontadas para o “lento desenvolvimento e poucos resultados concretos dessa cooperação”.

É o que mostra a pesquisa “A agenda de Cooperação Sul-Sul em Saúde do Fórum IBAS – Índia, Brasil e África do Sul”, de Alejandra Carrillo Roa, pesquisadora associada ao Nethis e consultora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS). A orientadora da pesquisa é a professora Célia Almeida,coordenadora do mestrado em Saúde Global e Diplomacia da Saúde.

O surgimento do bloco BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – e a ampliação de sua agenda de cooperação em saúde contribui para o baixo rendimento do IBAS. Para a pesquisadora, existe uma sobreposição de agendas e pautas que levantam questionamentos sobre a importância e a singularidade do Fórum IBAS e, particularmente, sobre a manutenção de sua agenda de cooperação.

Alejandra analisou a agenda de cooperação bi e trilateral em saúde do Fórum IBAS, entre 2003 e 2013, com foco em dois grupos de trabalho: ciência e tecnologia e saúde. “Esses grupos apresentaram resultados modestos e desiguais”, afirma.

AGENDA – O estudo revela que a formulação da agenda de cooperação no campo da saúde está atrelada às diretrizes da política externa dos governantes e seus chanceleres, em consequência “as mudanças de governo favorecem o avanço lento da formulação e da implementação das agendas, que passam a refletir as prioridades, preferências e propostas dos novos governos”. O tema predominante do Fórum é a epidemia de HIV/AIDS.

O Brasil manteve atividades de cooperação com os dois países antes da formação do IBAS. Na cooperação com a Índia, os principais interesses estavam ligados ao intercâmbio de tecnologias e importação de fármacos. Com a África do Sul, o foco esteve direcionado às trocas de experiências sobre políticas públicas no combate à AIDS, em ciência, tecnologia e inovação e às reformas dos sistemas de saúde.

METODOLOGIA – Três técnicas qualitativas foram utilizadas para o levantamento de dados: pesquisa bibliográfica, análise documental e entrevistas com informantes-chaves selecionados. Após a coleta das informações, os dados foram contrastados entre si.

Alejandra Carrillo Roa é economista, mestre em Seguridade Social pela Universidade Central da Venezuela e mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (Ensp/Fiocruz). Acesse o currículo completo aqui.

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2 pensamentos sobre “Cooperação em Saúde entre Brasil, Índia e África do Sul é inexpressiva

  1. Por mais que o BRICS tenha, no âmbito das relações internacionais, uma evidência maior que o IBAS é importante salientar que esses dois grupos tem particularidades em sua constituição, muito ligadas às características sobressalentes dos países que os constituem. Enquanto no IBAS seus membros buscam por certa inserção no contexto das instituições internacionais, os outros dois países que fazem parte dos BRICS já conseguiram certa visibilidade no cenário internacional.
    Também em relação às questões de cooperação em saúde, e até mesmo pelo poder de influência dos dois países que não fazem parte do IBAS – China e Rússia – temos que a importância de manter ativa a discussão e cooperação trilateral do Fórum se dá no fato de que certas ações, que serão de extrema importância para Brasil, Índia e África do Sul, podem não ser tão relevantes para os outros dois, sendo suplantadas e esquecidas em meio às outras pautas consideradas importantes dentro do contexto do BRICS.
    Assim sendo, será importante entender que mesmo que a maior parte dos grupos seja igual, esses tem particularidades em seus interesses que deverão ser respeitadas e mantidas e não, em uma forma de pensamento generalizada, desconsideradas por um crença de que um grupo possa ter maior importância do que o outro.

  2. Por mais que o BRICS tenha, no âmbito das relações internacionais, uma evidência maior que o IBAS é importante salientar que esses dois grupos tem particularidades em sua constituição, muito ligadas às características sobressalentes dos países que os constituem. Enquanto no IBAS seus membros buscam por certa inserção no contexto das instituições internacionais, os outros dois países que fazem parte dos BRICS já conseguiram certa visibilidade no cenário internacional.
    Também em relação às questões de cooperação em saúde, e até mesmo pelo poder de influência dos dois países que não fazem parte do IBAS – China e Rússia – temos que a importância de manter ativa a discussão e cooperação trilateral do Fórum se dá no fato de que certas ações, que serão de extrema importância para Brasil, Índia e África do Sul, podem não ser tão relevantes para os outros dois, sendo suplantadas e esquecidas em meio às outras pautas consideradas importantes dentro do contexto do BRICS.
    Assim sendo, será importante entender que mesmo que a maior parte dos grupos seja igual, esses tem particularidades em seus interesses que deverão ser respeitadas e mantidas e não, em uma forma de pensamento generalizada, desconsideradas por um crença de que um grupo possa ter maior importância do que o outro.

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