Controle dos EUA ‘paralisa’ combate ao ebola, diz Médicos Sem Fronteiras

As regras de quarentena estipuladas por alguns Estados norte-americanos a pessoas que retornam de regiões com grande quantidade de casos de ebola estão criando uma série de dificuldades ao combate dessa epidemia, dentre as quais um “efeito paralisante” nas operações do Médicos Sem Fronteiras (MSF), denunciado pela própria instituição, em vista da incerteza dos médicos e enfermeiras acerca do que irão enfrentar quando voltarem ao país. Além de tais medidas, a crescente estigmatização das pessoas que retornam das regiões mais fortemente afetadas pelo ebola e até mesmo o preconceito com pessoas de origem africana (ainda que residentes há meses ou anos nos EUA) agravam ainda mais o quadro atual. Esse cenário, portanto, parece apresentar muito mais um sentimento de repulsa frente a doença (“o ebola deve ficar onde está”, isto é, longe do Ocidente) do que de cooperação e ajuda. A título de exemplificação, pode-se citar o envio de soldados, por parte dos EUA, para conter o ebola na Liberia, em um momento no qual há uma carência de trabalhadores de saúde no país. A mim, portanto, mostra-se cada dia mais visível uma situação marcada por tentativas de simples contenção do vírus, muito mais do que de real combate. Post enviado por Vitor Garcia.

G1/Bem Estar – Quarentenas obrigatórias determinadas por alguns Estados norte-americanos a médicos e enfermeiros que retornam de regiões com surto de ebola na África Ocidental estão criando um “efeito paralisante” nas operações do Médicos Sem Fronteiras (MSF), informou o grupo humanitário.

A organização diz que discute a possibilidade de encurtar algumas atribuições como resultado de restrições impostas por alguns Estados desde que um de seus médicos norte-americanos, Craig Spencer, foi hospitalizado em Nova York na semana passada com o vírus.

“Está havendo um aumento de ansiedade e confusão entre os integrantes da equipe do MSF em ação sobre o que eles podem enfrentar quando voltarem para casa após a conclusão de suas atribuições na África Ocidental”, disse a diretora-executiva do Médicos Sem Fronteiras, Sophie Delaunay, em comunicado.

Viagens adiadas
Alguns trabalhadores do MSF estão atrasando o seu retorno para casa depois de suas atribuições e permanecem na Europa por 21 dias, período máximo de incubação do Ebola, “a fim de evitar enfrentar a crescente estigmatização e possíveis quarentenas”, segundo Delaunay.

“Algumas pessoas estão sendo desencorajadas por suas famílias a retornar para o campo (região com a doença)”, disse ela.

Os governadores de Nova York e Nova Jersey anunciaram novas regras de triagem nos aeroportos na última sexta-feira, incluindo quarentenas obrigatórias de 21 dias para qualquer profissional de saúde que tenha tratado de pacientes com ebola na África Ocidental.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou novo balanço esta semana, em que relata um total de 4.920 mortes e 13.703 casos nos oito países afetados pelo surto até 27 de outubro.

A agência das Nações Unidas afirmou ter tentado atualizar seus dados depois que exames laboratoriais descartaram muitos diagnósticos falsos –mortes “prováveis” e “suspeitas” que na verdade não foram causadas pelo vírus.

Números da epidemia
Desde março, foram registrados casos de ebola em oito países. Dois desses países, Nigéria e Senegal, já estão livres da doença. Veja, abaixo, detalhes dos locais com casos de ebola:

Guiné: Foram 1.906 casos – entre confirmados, prováveis e suspeitos – e 997 mortes provocadas pelo ebola.

Libéria: Foram 6.535 casos – entre confirmados, prováveis e suspeitos – dos quais 2.413 levaram a mortes.

Serra Leoa: Foram 5.235 casos – entre confirmados, provaveis e suspeitos – e 1.500 mortes pela doença.

Espanha: Houve um caso da doença e a paciente se recuperou.

Estados Unidos: Foram quatro casos diagnosticados no país: um paciente morreu.

Nigéria: Foram 20 casos de ebola – entre confirmados e prováveis – que levaram a 8 mortes. O país já está livre da doença.

Senegal: Houve apenas um caso da doença e o paciente se recuperou. O país já está livre da doença.

Mali: Foi constatado um caso de contaminação, uma criança, que morreu vítima da doença

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Um pensamento sobre “Controle dos EUA ‘paralisa’ combate ao ebola, diz Médicos Sem Fronteiras

  1. É impossível não associar o comentário inicial a notícia com o texto de Beck sobre o risco e suas consequências. O medo e a própria definição do risco estigmatiza o outro, discriminando e o excluindo das suas necessidades.

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