Qual a maior crise da saúde global na atualidade: obesidade ou desnutrição? de Bianca Ramos

10646794_677770722307719_4375575729793326346_nHoje no mundo temos aproximadamente 7,2 bilhões de pessoas, sendo 2,1 bilhões de pessoas obesas ou com sobrepeso, o que representa quase 30% da população mundial, enquanto existe 805 milhões de pessoas no mundo com desnutrição crônica. Com esses dados já percebemos que a obesidade e o sobrepeso têm o maior número de casos, mas que mostra que esse tipo de situação está tomando descontrole e que se os governos não tomarem alguma atitude a situação ficará cada vez mais grave.

Uma pesquisa feita com 188 países, incluindo o Brasil, entre 1980 e 2013, pelo Instituto de Métrica e Avaliação para a Saúde (IHME) da Universidade de Washington e publicado na edição da revista científica “The Lancet” em maio de 2014, mostra que nesse período o sobrepeso e a obesidade aumentaram em 27,5% entre os adultos e 41,1% entre as crianças. A pesquisa vai além disso, mostra que entre os homens adultos, a obesidade e o sobrepeso subiram de 29%, em 1980, para 37%, em 2013. No mesmo período, os índices cresceram de 30% para 38% entre as mulheres. Já em crianças e adolescentes, 23,8% dos meninos e 22,6% das meninas tinham sobrepeso ou obesidade, dados de países desenvolvidos. Já nos países em desenvolvimento, esse índice é de 12,9% entre os meninos e 13,4% entre as meninas. Já no Brasil temos 52,5% dos homens e 58,4% das mulheres com mais de 20 anos apresentam sobrepeso ou obesidade. Entre os garotos com menos de 20 anos, o índice é de 22,1%. Entre as garotas, o índice é de 24,3%.

Para o pesquisador e também diretor do IHME, Christopher Murray, “A expectativa é que a obesidade cresça de forma constante à medida que aumentem as rendas nos países de baixa e média renda, em particular, a não ser que medidas urgentes sejam adotadas para resolver essa crise de saúde pública”.

Os países com os índices mais altos de obesidade e sobrepeso, segundo o estudo, são os do Oriente Médio e Norte da África. Na região, 58% dos homens e 65% das mulheres com 20 anos ou mais apresentam sobrepeso ou obesidade, países em desenvolvimento. [1]

Caso nada seja feito, o número só tende a crescer, principalmente em relação a obesidade infantil, de acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), serão 75 milhões de crianças acima do peso no mundo, em 2025.

Para a OMS, a obesidade infantil é um dos maiores problemas de saúde para atualmente e para o futuro. E o alerta é que essas crianças obesas se tornarão adultos obesos, que vão desenvolver e que já estão desenvolvendo diabetes tipo 2, doença cardíaca, altas taxas de câncer e outros problemas de saúde, pois a cada 5 crianças obesas ou com sobrepeso, apenas uma consegue voltar a seu peso normal, na fase adulta. Um dado extramente preocupante.

O número de casos de obesidade e sobrepeso vem crescendo de uma maneira alarmante mais em países em desenvolvimento do que em países já desenvolvidos, pois a globalização e a prosperidade dos países emergentes arrastaram uma “transição nutricional”, uma mudança de comportamento alimentar de uma maneira descontrolada: mais densidade calórica e energética, mais gorduras, sódio e açúcar estão presentes na mesa dessas pessoas. Com o decorrer sobretudo do crescimento da economia nacional e da penetração no mercado de indústrias transnacionais de alimentos nos países emergentes, o aumento da oferta de itens como refrigerantes e snacks no mundo globalizado, acompanhado da redução de seu preço relativo, provocou a gradativa substituição de dietas tradicionais, baseadas em alimentos naturais, por dietas compostas por processados e ultraprocessados, o que torna preocupante, pois como já vimos, com o aumento da obesidade e do sobrepeso, há também o aumento de doenças crônicas não transmissíveis nessas pessoas.

Ao mesmo tempo, no entanto, a desnutrição é ainda reconhecida como um problema para milhões de pessoas no mundo, particularmente nas crianças.

Cerca de 805 milhões de pessoas no mundo, uma em cada nove, sofrem de fome, afirma novo relatório das Nações Unidas divulgado em setembro, que é publicado anualmente pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA). Este relatório confirma a tendência positiva de decréscimo global do número de pessoas com fome, que diminuiu em mais de 100 milhões na última década e em mais de 200 milhões desde 1990-1992. Segundo o que escreveram no prefácio do relatório os chefes de FAO, FIDA e PMA, José Graziano da Silva, Kanayo F. Nwanze e Ertharin Cousin, respectivamente: “Esta é a prova de que podemos vencer a guerra contra a fome e deve servir como inspiração para os países avançarem, com o apoio da comunidade internacional, naquilo que for necessário”. Mais ainda sim, é um muito alto, e a maior concentração está na África Subsaariana. [2]

Algumas medidas estão sendo tomadas pelos governos para esse número chegar a cada vez mais baixo, mas no caso da obesidade/sobrepeso o governo ainda está caminhando, mas bem lentamente para criar uma política pública em relação a esse problema que cresce cada vez mais. O maior problema que encontramos atualmente está na publicidade, já que este é um recurso amplamente usado pelas empresas em todo o mundo para incentivar o consumo de seus itens fabricados, principalmente itens destinados a crianças, como os famosos fast-foods acompanhados com brinquedos, alimentos com alto teor em sódio, como pipocas, batatas fritas, salgadinhos; com alto de teor de açucares, como cereais matinais, achocolatados, refrigerantes, sorvetes; além de biscoitos, bolos, doces, entre outros. Estudos feitos em países, principalmente europeus, ligavam a relação da publicidade com o aumento do consumo dos ultraprocessados, então alguns adotaram medidas para regulamentar a propaganda, sendo horário, local, tipo de produto, publico, entre outros, mas sem duvida alguma a maior preocupação desses países, foi a regulamentação das propagandas destinadas as crianças, pois como já vimos, o número de casos de obesidade e sobrepeso aumentou 41,1% e entre 5 crianças que tem sobrepeso ou obesidade, apenas uma consegue voltar ao seu peso normal na idade adulta e além disso, o número de crianças com doenças crônicas não transmissíveis está aumentando cada vez mais, como diabetes tipo 2 e hipertensão, além de casos de bullying e depressão, cada vez mais presente.

As indústrias de alimentos tem se movimentado no sentido de limitar as propagandas. Em 2007, por exemplo, onze das maiores transnacionais do setor, incluindo Coca-Cola, PepsiCo, Nestlé, Danone, Kellogg’s, Kraft, Unilever e Burger King, comprometeram-se com a União Europeia a não fazer anúncios para menores de 12 anos [“exceto quando o produto atender determinados critérios nutricionais”] e a não se engajar em comunicações comerciais com escolas primárias [“exceto para propósitos educacionais, quando solicitada pelos administradores das escolas ou com aquiescência desses”]. [3]

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proibiu qualquer propaganda no meio escolar de produtos alimentícios com alto teor de açúcar, sal ou gorduras não saudáveis.

Mesmo com essas proibições, o número está crescendo cada vez mais e fica claro que uma política publica precisa ser estudada, mas não individualmente, mas entre a união dos países, principalmente dos emergentes, onde o índice está crescendo cada vez mais em comparação aos países desenvolvidos.

Bianca Ramos, aluna do primeiro ano da graduação em nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP, cursa a disciplina de Saúde Global no IRI

Referências Bibliográfica:

[1] Lenharo, Mariana. Mundo tem 2,1 bilhões de pessoas obesas ou com sobrepeso, diz estudo. São Paulo; 2014. [documento na internet]. Disponível em: < http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2014/05/mundo-tem-21-bilhoes-de-pessoas-obesas-ou-com-sobrepeso-diz-estudo.html&gt;

[2] Relatório da ONU: fome diminui, mas ainda há 805 milhões de pessoas no mundo com desnutrição crônica. 2014. [documento na internet]. Disponível em:< http://www.onu.org.br/relatorio-da-onu-fome-diminui-mas-ainda-ha-805-milhoes-de-pessoas-no-mundo-com-desnutricao-cronica/&gt;

[3] Monteiro, Carlos Augusto; Castro, Inês Rugani Ribeiro de. Por Que É Necessário Regulamentar a Publicidade de Alimentos. [documento na internet]. São Paulo; 2009. Disponível em: <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000400020&script=sci_arttext>

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