Pesquisa analisa área internacional do MS

Informe ENSP – Um estudo que tem como objeto o profissional que atua na área internacional do Ministério da Saúde (MS) foi desenvolvido pelo aluno do mestrado profissionalizante em Saúde Pública Sérgio Alexandre Gaudêncio, com o objetivo de mapear e analisar os contextos de ação desse profissional, a partir da definição de competências profissionais, a fim de apresentar norteadores para definição dessas competências. Sua pesquisa considera que o tema saúde tem ampliado seu escopo de influência tanto em âmbito nacional quanto internacional. “Neste, principalmente nas últimas décadas, há uma crescente inter-relação temática da saúde que perpassa áreas de atuação como comércio, propriedade intelectual, finanças, biossegurança, entre outros. Toda a complexidade do tema saúde em âmbito nacional reverbera em escala global, impondo a necessidade de ações coordenadas, articuladas e negociadas nessa esfera de atuação”, destacou.
Nesse sentido, o trabalho de Gaudêncio contextualiza e analisa o escopo de trabalho daqueles que atuam na área internacional do MS à luz do desenvolvimento das competências profissionais. Sua pesquisa problematizou os conceitos e definições de competência profissional no âmbito da saúde global, diplomacia da saúde e força de trabalho em saúde. “O trabalhador deve estar preparado não só para executar eficazmente tarefas regulares no seu contexto de atuação, mas também para situações inusitadas, às quais ele terá que mobilizar diversos recursos para encontrar soluções”, indicou
Segundo Gaudêncio, esse profissional necessitará, mais do que conhecimentos formais, embora estes sejam imprescindíveis, mas também preparado para o saber-agir, ou seja, adequar conhecimentos, habilidades e outros recursos disponíveis e saber utilizá-los eficazmente em situações reais. O argumento central da dissertação é a necessidade de qualificação desse ator às dinâmicas da saúde global, tendo como princípio as competências profissionais que permitem, a partir das suas funções essenciais, construir um quadro ampliado dos elementos que são constituintes do seu escopo de ação.

Discutida a partir dos Planos Nacionais de Saúde e das Estratégias, a análise do aluno constata lacunas na estruturação com relação à atuação do MS na área internacional. Sendo a finalidade um dos aspectos consensuais entre a maioria dos estudiosos sobre competência, destaca-se que os planos apresentam pontos de limitações para o desenvolvimento de competências profissionais para aqueles que atuam com o tema da saúde global e diplomacia da saúde.

Duas vertentes são apresentadas pelo aluno: recursos materiais e recursos cognitivos. Quanto aos recursos materiais traça-se o perfil histórico dos órgãos responsáveis pelos temas de saúde global, e analisam-se suas estruturas organizacionais, financiamento, e inter-relações com outros órgãos, delineando-se o campo de ação do profissional que atua na área internacional da saúde. Quanto aos recursos cognitivos, infere-se, a partir dos dados apresentados, quais as áreas de conhecimento necessárias para o desenvolvimento de competências do profissional que atua na área internacional da saúde.

A pesquisa apresenta a evolução do tema da força de trabalho em saúde (FTS) a partir do envolvimento dos organismos internacionais com o tema, sobretudo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Em seguida, após análise das definições do que seja FTS, propõe uma perspectiva de inserção desse profissional nesse escopo.

Gaudêncio explica que fóruns internacionais de saúde, fóruns em que a saúde é tema ou nos quais as decisões podem afetar diretamente a saúde, e também no âmbito das associações regionais de blocos de países, e cooperação bilateral e triangular são contextos de ação cuja discussão é precedida pelo caráter histórico da participação do Brasil nas discussões sobre o tema saúde global desde as primeiras conferências internacionais de saúde.

Sérgio Alexandre Gaudêncio é técnico especializado em Relações Internacionais do Ministério da Saúde desde 2011, especialização em Saúde Internacional e Diplomacia pela ENSP (2009), e em Políticas Públicas e Gestão Estratégica da Saúde, também pela ENSP (2006). Sua dissertação, intitulada Contextos para definição de competências profissionais aos que atuam na área internacional da saúde foi defendida em 26/8, na Fiocruz Brasília.

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