Ebola: para entender uma emergência de saúde pública de importância internacional

Estadão – Enviado por Bruno Cercal

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Perguntas & respostas

O que é o Ebola?

A doença é provocada por um vírus. O nome foi tirado de um rio no Congo, onde a doença foi descoberta, em 1976.

 

Como se transmite? O Ebola pode se espalhar pelo ar?

O Ebola se espalha por contato direto de fluídos corporais dos doentes. Se o sangue ou o vômito da pessoa infectada entrar em contato com os olhos, boca ou nariz de uma pessoa, a infecção pode ser transmitida. Não existe o risco do Ebola ser transmitido pelo ar.

 

Quais são os sintomas?

Febre, vômito, diarreia e hemorragia interna.

 

Como o Ebola evolui?

Do 7º ao 9º dia, o paciente apresenta dor de cabeça e muscular, fadiga e febre. No 10º dia, febre alta repentina e vômito de sangue. No 11º dia, sangramento do nariz, boca, olhos e ânus, e dano cerebral. No 12º dia, perda de consciência, hemorragia interna e morte. A maioria dos pacientes morre de hemorragia interna ou com falência múltipla de órgãos.

 

Um objeto contaminado pode transmitir o vírus?

Sim, o vírus sobrevive em superfícies, qualquer objeto com fluídos corporais dos pacientes, como luvas de látex ou uma máscara, podem espalhar a doença.

 

Como é o tratamento da doença?

Não existe cura para o Ebola. O que os médicos podem fazer é manter a pressão arterial e tratar outras infecções que podem atingir corpos com baixa imunidade.

 

Quantas pessoas foram infectadas pelo vírus?

Mais de 1.600 pessoas em Guiné, Libéria e Serra Leoa contraíram o Ebola desde março, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Mais de metade destes infectados morreram. O governo da Nigéria reportou três casos prováveis e um suspeito, incluindo o de um homem da Libéria que viajou para o país e morreu no dia 25 de julho. Dois médicos americanos foram infectados pelo Ebola enquanto trabalhavam na África Ocidental e foram levados para Atlanta para tratamento.

 

Qual o país com maior número de casos?

Atualmente, o governo de Serra Leoa contabiliza 691 casos e 286 mortes. O país com maior número de mortes é Guiné, com 363 casos fatais.

 

Mesmo após o vírus se espalhar e a Organização Mundial de Saúde alertar as pessoas, o número de casos continua subindo. Por quê?

Atualmente, grande parte das pessoas infectadas são justamente aquelas que estão cuidado das pessoas doentes, mas que não sabem da transmissão via fluídos corporais. Principalmente porque essas pessoas não possuem treinamento ou equipamentos adequados para o tratamento.

 

Existe algum risco de a doença chegar pelo Brasil?

Por enquanto, o risco é muito pequeno e só aumentará se o vírus se alastrar para outros países.

 

Se uma pessoa ficar doente e viajar para o Brasil, corremos risco?

Não, pois o Governo Federal reforçou o atendimento de passageiros que apresentaram sintomas de febre, diarreias ou hemorragias. O paciente que realmente está com o vírus não conseguiria embarcar em um avião, sua saúde estaria muito precária.

 

Quando se define o surto de uma doença?

Quando há taxa maior do que o previsto em uma área restrita, como ocorre com a dengue em São Paulo neste ano.

 

E quando há epidemia ou pandemia?

Quando o surto abrange área maior, como um país, é epidemia. Pandemias, como a da AIDS, atingem o mundo todo.

 

O que é emergência de saúde pública internacional?

A PHEIC, na sigla em inglês, é decretada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) quando uma proliferação exige reação global. Vale tanto para epidemia quanto para surto.

 

É melhor evitar viagens para os locais afetados?

Sim, a viagem seria último caso, mas já que não existe uma vacina, é melhor evitar. É preciso desencorajar as pessoas que querem ir para lá e continuar monitorando as pessoas que chegam.

 

O atendimento dos passageiros que viajaram para locais de risco é realmente necessário?

Esse atendimento inicial é necessário, pois existe o risco de que um passageiro esteja com o vírus encubado. Esses pacientes estariam em estado inicial. Existem países que estão realizando exames de temperatura, pois a febre é um dos primeiros sintomas do vírus. Se o passageiro estiver com uma temperatura alta, é valida uma investigação maior. Doutores dos Estados Unidos foram aconselhados a perguntar o histórico de viagem de qualquer paciente que apresente febre. Nestes casos, é importante ficar atento.

 

O Brasil deveria intensificar o atendimento? Seria o caso da suspender voos relacionados aos locais?

O controle que o governo está seguindo é suficiente, pois o vírus não existe aqui no Brasil. No ponto que estamos, não é necessário.

 

Qual a origem da doença?

O Ebola foi descoberto em 1976, inicialmente em gorilas. Humanos foram contaminados quando comeram a carne do animal. Cientistas acreditam que morcegos também podem incubar o vírus e os humanos e os macacos podem pegar a doença se tiverem contato com locais onde o animal defecou.

 

Este é o maior surto desde que o vírus foi descoberto?

Sim, o maior surto até então foi em 1976 no Sudão e na República Democrática do Congo, quando o vírus foi descoberto. Na época, foram 602 casos e 431 mortes. O vírus teve um novo surto em 1995, em 2000 e em 2007, quando em cada ano, morreram mais de 200 pessoas.

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