Brics lançarão novo banco de desenvolvimento na semana que vem, diz Rússia

Reuters/UOL Economia –  Líderes dos países que compõe os Brics lançarão um esperado banco de desenvolvimento em uma cúpula na semana que vem, e decidirão se a sede da instituição será em Xangai ou em Nova Déli, disse o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, nesta quarta-feira.

A criação por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul de um banco de 100 bilhões de dólares para financiar projetos de infraestrutura demorou para sair, por conta de discordâncias sobre seu financiamento, administração e sede corporativa.

“A questão (da sede) será decidida no nível dos líderes dos países”, disse Siluanov a jornalistas, acrescentando que a escolha será definida entre Xangai, na China, e Nova Déli, na Índia. Os líderes dos Brics se reunião em 15 e 16 de julho em Fortaleza.

O lançamento do banco será a maior conquista do grupo, após ter fracassado em coordenar ações em vista de um êxodo de capital de mercados emergentes no ano passado, desencadeado pela contenção de estímulo monetário dos Estados Unidos.

O novo banco vai simbolizar o crescimento de influência dos Brics, algo que a Rússia esperava após as sanções ocidentais a Moscou mais cedo no ano, impostas por conta da anexação de parte da Ucrânia a seu território e por seu contínuo envolvimento na crise do país vizinho.

A capitalização do banco tem sido um ponto principal de discórdia, mas Siluanov confirmou que o financiamento seria dividido igualmente, com um total inicial de 10 bilhões de dólares em dinheiro ao longo de sete anos, e 40 bilhões de dólares em garantias.

Os 50 bilhões de dólares serão eventualmente escalados para 100 bilhões, e o banco será capaz de começar a realizar empréstimos em 2016, disse ele.

O banco foi primeiramente proposto em 2012. A proposta foi aprovada nesse mesmo ano em uma cúpula dos Brics na África do Sul, mas não conseguiu ser lançado durante uma reunião na Rússia no ano passado do grupo dos 20 países desenvolvidos e em desenvolvimento (G20).

O banco ficará aberto a outros países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), mas a cota dos Brics nunca deverá ficar abaixo de 55 por cento, afirmou Siluanov.

A presidência do Conselho do banco, com um mandato de cinco anos, vai rodar entre os países-membros, mas a primeira ainda será decidida, disse Siluanov.

Os líderes dos Brics também assinarão um acordo sobre um outro projeto do grupo ?um fundo de 100 bilhões de dólares para estabilizar os mercados de câmbio, que também tem tido um começo lento.

A iniciativa tornou-se mais necessária após um fluxo de dólares baratos ter motivado uma expansão nos Brics por uma década e então revertido o caminho e registrado uma grande saída de divisas no último ano.

A China, detentora das maiores reservas do mundo em moeda estrangeira, vai contribuir com a maior parte do fundo, com 41 bilhões.

Brasil, Índia e Rússia vão destinar 18 bilhões de dólares cada, e a África do Sul, 5 bilhões.

(Por Lidia Kelly, com reportagem adicional de Alonso Soto em Brasília)

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