Cerca de 243 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos usaram drogas ilícitas em 2012, afirma ONU

09-10-odc-cocaineFoto: UNODC/Ioulia Kondratovitch

ONU Brasil – A prevalência do uso de drogas no mundo permanece estável, segundo o Relatório Mundial sobre Drogas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Cerca de 243 milhões de pessoas, ou 5% da população global entre 15 e 64 anos de idade, usaram drogas ilícitas em 2012. Usuários de drogas problemáticos, por outro lado, somaram por volta de 27 milhões, cerca de 0,6% da população adulta mundial, ou 1 em cada 200 pessoas.
Durante o lançamento do relatório em Viena (Áustria) nesta quinta-feira (26), no Dia Internacional Contra o Abuso de Drogas e o Tráfico Ilícito, o diretor executivo do UNODC, Yury Fedotov, chama atenção para um foco maior na saúde e nos direitos humanos de todos os usuários de drogas, especialmente daqueles que fazem uso de drogas injetáveis e que vivem com HIV.
“Ainda existem sérias lacunas na prestação de serviços. Nos últimos anos, apenas 1 em cada 6 usuários de drogas no mundo teve acesso ou recebeu algum tipo de tratamento para dependência de drogas a cada ano”, diz ele, ressaltando que 200 mil mortes relacionadas a drogas ocorreram em 2012.
O chefe do UNODC afirma que o sucesso sustentável no controle de drogas requer um firme comprometimento internacional. Uma abordagem balanceada e compreensiva que se direcione tanto à oferta quanto à demanda deve ser apoiada por respostas baseadas em evidências, focando na prevenção, no tratamento, na reabilitação social e na integração.
“Isso é particularmente importante na medida em que estamos nos aproximando da Sessão Especial da Assembleia Geral da ONU sobre o problema das drogas em 2016”, diz Fedotov. Ele também chama atenção para o fato de que substâncias controladas devem ser mais amplamente disponibilizadas para fins médicos, inclusive para garantir o acesso à medicação para a dor, evitando seu uso indevido e desvio para fins ilícitos.
Substitutos de opioides, diminuição da oferta global de cocaína e quadro misto do uso de cannabis
O aumento na produção de ópio no Afeganistão representou um revés, afirma Fedotov, já que o maior produtor de papoula de ópio do mundo aumentou sua área de cultivo em 36%, de 154 mil hectares em 2012 para 209 mil hectares em 2013. Com um rendimento de cultivo de 5.500 toneladas, o Afeganistão representa 80% da produção global de ópio. Em Mianmar, a área sob cultivo de papoula cobriu 57.800 hectares, mantendo o aumento de cultivo iniciado após 2006. Em 2013, a produção global de heroína também voltou aos altos níveis testemunhados em 2008 e 2011.
Os Estados Unidos, a Oceania e alguns países da Europa e da Ásia têm visto usuários alternarem entre heroína e opioides farmacêuticos, uma tendência em grande parte ditada pelos baixos preços e acessibilidade; porém, enquanto usuários dependentes de opioides nos EUA estão trocando opioides farmacêuticos por heroína, usuários nos países da Europa têm substituído heroína com opioides sintéticos.
A disponibilidade global de cocaína diminuiu devido à queda na produção de 2007 a 2012. O uso de cocaína permanece alto na América do Norte, apesar de diminuir desde 2006. Enquanto o uso e tráfico de cocaína parecem crescer na América do Sul, a África tem testemunhado um aumento no uso de cocaína devido ao crescimento do tráfico pelo continente, enquanto o aumento do poder de compra tornou alguns países asiáticos vulneráveis ao uso de cocaína.
Globalmente, o uso de cannabis parece estar em declínio, mas a percepção de riscos menores à saúde levou a um maior consumo na América do Norte. Apesar de ser muito cedo para entender os efeitos de novos marcos regulatórios tornando legal o uso recreativo da cannabis em alguns estados dos EUA e no Uruguai sob certas condições, um maior número de pessoas procura por tratamento de transtornos relacionados a cannabis na maioria das regiões do mundo, incluindo a América do Norte.
As apreensões de metanfetamina mais que dobraram globalmente entre 2010 e 2012. A fabricação de metanfetamina se expandiu mais uma vez na América do Norte, com um grande aumento no número de laboratórios desmantelados nos EUA e no México. Das 144 toneladas de estimulantes tipo anfetamina apreendidos globalmente, metade foi interceptada na América do Norte e um quarto no Leste e Sudeste da Ásia. O número de novas substâncias psicoativas não reguladas no mercado global mais que dobrou, para 348, entre 2009 e 2013.
Controlando precursores, reduzindo a oferta de drogas ilícitas
A globalização do comércio de produtos químicos tornou mais fácil seu desvio de usos legais para ilegais. No entanto, o controle de precursores, os produtos químicos necessários para produzir drogas baseadas em plantas ou drogas sintéticas, tem tangivelmente reprimido tal desvio.
Entre 2007 e 2012, 15% do anidrido acético desviado para produzir heroína e 15% de permanganato de potássio usado para produzir cocaína foram interceptados. Durante esse período, apreensões de precursores de anfetaminas e metanfetaminas foram mais de duas vezes maiores que as apreensões das drogas em si.
Declínios no uso de substâncias como LSD e ecstasy nos últimos anos também podem ser parcialmente atribuídos a melhoras no controle de precursores, que mantém o preço dos produtos químicos desviados alto e aumenta o custo de produção das drogas. No Afeganistão, o anidrido acético valia até 430 dólares por litro em 2011, acima dos 8 dólares de 2002, mas custava 1,50 por litro nos mercados lícitos do mundo.
Conforme progressos têm sido feitos no rastreamento de precursores, criminosos têm desenvolvido novas técnicas como a criação de companhias de fachada e o desvio de precursores dentro dos países para evitar controles internacionais. Novos “pré-precursores” não regulados emergiram rapidamente como substitutos para os precursores controlados usados para produzir estimulantes tipo anfetamina. Fedotov pede maior vigilância.
“Monitorar fluxos globais de produtos químicos é especialmente importante com o aumento da produção e do tráfico de drogas sintéticas, que não podem ser controladas através da abordagem tradicional de redução de oferta, como a erradicação de plantações”, afirma ele. “Um sistema de controle internacional robusto deve permanecer como uma estratégia chave em se tratando da redução da oferta”.

Saiba mais clicando aqui.

Para mais informações:
Ana Paula Canestrelli
Assessora de Comunicação
Escritório de Ligação e Parceria do UNODC no Brasil
Tel: (61) 8143-4652 | Email: anapaula.canestrelli@unodc.org

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