A primeira Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (2009-2010), de Greissy López, Ana Maria Arango, Melissa Sanchez e Eduardo Brussi

A pandemia de gripe de 2009  (inicialmente designada como gripe suína e em abril de 2009 como gripe A) foi um surto global de uma variante de gripe suína cujos primeiros casos ocorreram no México em meados do mês de março de 2009. Veio a espalhar-se pelo mundo, tendo começado pela América do Norte, atingindo pouco tempo depois a Europa e a Oceania. O vírus foi identificado como uma nova cepa do já conhecido Influenza A subtipo H1N1, o mesmo vírus responsável pelo maior número de casos de gripe entre humanos.

A OMS aumentou o nível de ameaça da gripe para seis, nível este considerado máximo na escala, indicando uma pandemia, declarou em 25 de Abril de 2009 que a epidemia é um caso de “emergência na saúde pública internacional”, significando que os países em todo o mundo deverão acentuar a vigilância em relação à propagação do vírus.

Repercussões  para o setor social, comercial e turístico no México

A partir da análise do que aconteceu no segundo trimestre do ano 2010 no México se confirma que, embora o impacto do número de mortos e afetados foi relativamente baixo, o impacto sobre a economia foi significativo e implicou uma redução nas atividades econômicas importantes, com consequências sobre o emprego e um potencial impacto nos setores sociais vulneráveis e/ou nos níveis de pobreza.

Lugares como os shoppings, que recebem milhares de visitantes diários, pareciam vazios, sem ruído. As pessoas não saíam de casa, cinemas e estádios estavam fechados, ao entrar nas lojas de conveniência as pessoas precisavam aplicar álcool gel e colocar máscaras.  As pessoas que trabalhavam em escritórios deviam trabalhar desde casa on-line.
México enfrentou situações inusitadas, como restaurantes e resorts vazios. Os cruzeiros já não visitavam o pais e os turistas mexicanos foram rejeitados e recebidos com restrições em lugares como China, Cuba, França e Argentina.

A começos do ano 2010, o secretário de Saúde mexicano, José Angel Córdova Villalobos, afirmou que o surto registrado em 23 abril de 2009 afetou 0,7% do produto interno bruto (PIB) como resultado das drásticas medidas sanitárias.

Dados econômicos relevantes da gripe no México

  • A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) informou que as perdas econômicas para o México totalizaram 57 bilhões de pesos.
  • Segundo Córdova nenhuma negociação foi feita para favorecer empresas farmacêuticas na produção da vacina contra a gripe H1N1.
  • A Secretária da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, Laura Arizmendit, informou que esse setor caiu 11,4 por cento em 2009, como resultado da epidemia de influenza A (H1N1) e da insegurança.
  • O setor do turismo e do comércio teve uma perda de 43 701 postos entre abril e maio de 2009. As perdas econômicas no turismo e no comércio foram estimados em 8 bilhões de dólares.
  • Dos 39.679 casos confirmados de gripe H1N1 no México, até outubro de 2009, 190 foram cobertos pela indústria de seguros por um montante total de 26,6 milhões de dólares, de acordo com dados da Associação Mexicana de Instituições de Seguros (AMIS).
  • O dólar aumentou o seu preço acima dos 14,00 pesos por causa da crise econômica e do medo dos possíveis cenários de gripe.
  • A União Europeia limitou a entrada de peixes, frutos do mar e mel procedente do México.
  • A Confederação de carne de porco mexicana (CPM) informou  a caída  das vendas de produtos de carne  para 80%, Equador e China proibiram as exportações de carne suína mexicana.
  • Aeroportos do mundo intensificaram controles para mexicanos.
  • Diversas companhias de cruzeiros com base em Miami decidiram suspender  seus navios temporariamente para destinos turísticos no México.
  • Os valores das empresas de turismo diminuiu, embora a indústria farmacêutica ganhou terreno.
  • As perdas diárias do setor comercial do Distrito Federal foi de 777 milhões, de acordo com a Câmara de Comércio da Cidade do México (CANACO).
  • De acordo com a mídia local, a receita de bilheteria e consumo em diferentes recintos parou de receber em um fim de semana no México, cerca de 90 milhões, e os estádios não receberam 29 milhões de pesos, incluindo cerca de 400 mil pesos a partir da venda de cervejas.
  • No que diz respeito às doações, obteve-se 28 milhões de pesos em dinheiro, dos quais 25 milhões foram aplicados na compra de respiradores e outros equipamentos e foram manejados pelo Conselho de Caridade Pública, sem entrar no orçamento SSA.
  • O maior número de doações em espécie foi obtida de países como China, Espanha, Japão e França, entre outros, composta por insumos, medicamentos e equipamentos os quais foram distribuídos em todo o país.

Em 10 de agosto de 2010, a diretora-geral do organismo da Organização Mundial da SaúdeMargaret Chan, anunciou o fim da pandemia de gripe A (H1N1). “O mundo não está mais na fase seis de alerta pandêmico. Passamos para a fase pós- pandêmica“. Chan observou que a pandemia de gripe A (H1N1) poderia ter sido muito pior. Segundo as últimas estatísticas da OMS, o vírus causou a morte de mais de 18 mil pessoas desde o seu aparecimento, em abril de 2009.

Mais de uma em cada cinco pessoas terão sido infectadas com o vírus H1N1 durante a pandemia gripal, embora oficialmente esta tenha causado menos mortes que uma simples gripe sazonal, indica um estudo divulgado em Janeiro de 2013.

Baseado na pandemia H1N1, o diretor Steven Soderbergh realizou o filme Contagio para refletir o impacto de tal acontecimento na escala mundial e o papel jogado pela OMS em  uma situação de emergência como essa.   

Contágio, filme de Steven Soderbergh, 2011

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Filme realizado com um visual e ritmo que lembra um documentário e nos mostra que para um apocalipse mundial, não é necessário um vírus que transformem humanos em mortos vivos para um apocalipse, basta que eles permaneçam vivos o tempo suficiente para infectarem outros.

O filme mostra uma executiva que está a trabalho na China, tendo contato com a cultura local e com pessoas de diversos lugares.

Enviada ao hospital, ela é atendida em emergência e falece depois, sem que os médicos consigam fazer nada. Casos semelhantes começam a aparecer em Tóquio, na Europa e em Hong Kong, a partir de pessoas que estiveram lá na China e voltaram para seus países.

Um vírus desconhecido é o responsável pelas mortes rápidas e começa a se espalhar rapidamente pela população mundial. Começa uma escalada de problemas perante a ameaça e a investigação da organização mundial de saúde e de grupos particulares, em meio

a informações desencontradas, especulações e alarde.

O filme foi construído em um ritmo e visual que remete claramente aos documentários, ele poderia ser muito bem enquadrado como um filme que “mostra o que ocorreu” durante uma epidemia mundial. Ele intercala imagens em diversos locais do mundo mostrando o cotidiano de pessoas comuns e os personagens principais do mesmo. Os enquadramentos iniciais, mostram como a população mundial é muito suscetível a uma epidemia, por causa dos costumes corriqueiros de encostar em locais e objetos que são tocados por uma infinidade de pessoas e nossas relações com outros seres humanos.

O filme acompanha pessoas comuns que estão tendo que conviver com a ameaça desconhecida e arrumar uma forma de sobreviver, as pessoas da organização mundial de saúde e grupos farmacêuticos que tem interesse em desenvolver uma vacina pois geraria lucros enormes e a imprensa oficial e não oficial que transmite as informações para a população. Alternando os momentos entre estes ao redor do mundo.

Durante esse período, a população passa por um período de dificuldade, pois a tendência é de isolamento de cada um em suas casas evitando o contato um com os outros, porem para que isso ocorra, depende da obtenção de provisões, mas sem trabalhadores em setores importantes, co

meça a ocorrer a deterioração dos serviços públicos e problemas com a falta de determinados produtos.

BIBLIOGRAFIA

[1] “OMS declara pandemia de gripe suína”, 25 de abril de 2009  disponível em, <http://oglobo.globo.com/mundo/oms-declara-pandemia-de-gripe-suina-3193648>

[2] Evaluación preliminar del impacto em México de la influenza A H1N1, março de 2010, disponível em <http://www.eclac.cl/cgi-bin/getProd.asp?xml=/publicaciones/xml/4/38894/P38894.xml&xsl=/mexico/tpl/p9f.xsl&base=/mexico/tpl/top-bottom.xsl&gt;

[3] Repercuciones económicas del vírus de influenza A H1N1, 20 de abril de 2010, disponível em http://economia.terra.com.mx/noticias/noticia.aspx?idNoticia=2010042 1447_TRM_78907786>

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