Assistência mortal, documentário de Raoul Peck

A percepção da opinião pública sobre a cooperação internacional não será mais a mesma, caso o filme “Assistência mortal”, de Raoul Peck, tenha a difusão que merece. Sabemos que, três anos depois do terremoto que assolou o Haiti, em 2010, os haitianos ainda vivem em total precariedade. A catástrofe natural produziu um efeito multiplicador: há crises sanitária, de habitação, alimentar, ecológica, entre tantas outras. Mas o documentário põe em destaque as crises política e ética, pouco comentadas, que abrangem muito mais do que os criticados governantes haitianos, ao revelar o descalabro da gestão da ajuda humanitária pela comunidade internacional. Mais de 4 bilhões de dólares foram prometidos ao Haiti. Eles de fato chegaram à ilha? E o que foi feito deles? Cenas inesquecíveis revelam o contraste entre o desamparo dos haitianos e os bastidores nos quais ocorre a ingerência direta de atores, como, por exemplo, o casal Clinton, na política local, inclusive nas eleições presidenciais. No coquetel haitiano, não se trata do remédio que elimina a doença matando o doente, mas de uma engrenagem perversa que garante, a qualquer custo e em causa própria, a persistência das enfermidades de toda sorte. O Brasil não pode tomar decisões sobre o destino dos haitianos que aqui chegam sem antes entender o que explica este filme, tão extraordinário quanto desolador (Deisy Ventura).

Veja ainda o belo infográfico da Arte TV sobre o filme

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